A família toda é pop

Por Vanessa Mendes

Foto: Fábio Jr. Severo

O jornalista Marcos Daniel Piangers Barros encontrou na escrita a melhor forma de se conectar com o público. Ele já era um comunicador respeitado no Sul do Brasil, pela atuação como apresentador de rádio e TV, mas em 2015, ao escrever e lançar o primeiro livro, ‘O Papai é Pop’, que virou best-seller, alcançou notoriedade nacional. As crônicas reunidas na obra mostram uma espécie de fotografia da família, composta por Piangers, a esposa Ana Cardoso e as filhas, Anita e Aurora.


Com o lançamento, rapidamente chegou ao patamar de livro mais vendido no Brasil. Ficou três anos seguidos entre os mais comercializados na lista divulgada pela Revista Veja. Ultrapassou barreiras internacionais e, em Portugal, foi ‘Top 5’ nos mais vendidos. A obra ainda foi traduzida e comercializada na Espanha, Inglaterra e Estados Unidos.


Sua carreira bem-sucedida se estende, também, às palestras, com a realização de eventos para empresas de grande porte. Participou cinco vezes do TEDX – importante conferência com o objetivo de compartilhar ideias e inspirar pessoas –, e conquistou o título de melhor palestra no RDSummit – maior evento de Marketing e Vendas da América Latina –, em 2017 e 2019.


Em entrevista, exclusiva, à Vision Business, Marcos Piangers fala sobre como a família toda ficou pop. Só no Instagram, conta com mais de 1 milhão e 100 mil pessoas que acompanham as postagens.


Nas próximas páginas, um ‘presente’ repleto de aprendizados e com uma importante abordagem de como podemos valorizar o tempo, as pessoas e a nossa família. Um bate-papo inspirador, com uma fala revisitada de leveza, sinceridade, experiência e sensibilidade. Ele é daquele tipo de ser humano que fala com o olhar, que acolhe e abraça. Que ao mesmo tempo em que tem as palavras certas, quase sempre perde a fala e se emociona quando fala da mãe e da família. Piangers é único, é divertido, é descontraído, e é, o tempo todo, um feliz aprendiz.


Foto: Fábio Jr. Severo
“Eu nunca imaginei que faria parte da vida das pessoas.”

Quando eu li os teus livros, eu estava ‘embarcando’ no universo da maternidade. E tudo, ou a maioria dos relatos deles, fazia sentido porque eu queria poder ser para o meu filho aquele exemplo, aquela referência, que você é para as tuas filhas. Como você se sente sabendo que pode fazer a diferença na vida das pessoas?

Eu nunca imaginei que faria parte da vida das pessoas. Muito menos de outras famílias, que é uma parte muito grande da nossa construção, do nosso caráter e valores. Olhando para a minha própria vida, todos os meus traumas, faltas e vontades de construir uma família estruturada e afetiva só fazem sentido agora, quando eu olho para trás e os pontos estão ligados. Steve Jobs falava isso: que os pontos se conectam lá na frente, mesmo que a gente não saiba porque está vivendo aquelas coisas. Sempre tive na cabeça um medo de não saber como ser um bom pai, por não ter tido esta referência. Minha mãe me criou sozinha. Então, fico cheio de orgulho ao saber a diferença que fiz para paternidades e maternidades. Não no sentido de ter orgulho de mim mesmo, mas pela minha mãe. Todos os desafios que ela passou, tantas noites que ela sofreu e chorava, e eu a via chorando. Eu fico emocionado ao ouvir um relato como o seu e também quando ouço de mães e de pais histórias de transformação de pessoas que mudaram sua participação na família, com um esforço para equilibrar vida profissional e afetiva. É incrível imaginar que um monte de letrinhas amontoadas de uma determinada forma em um papel impresso, no livro, que é uma tecnologia tão antiga, acaba ainda transformando vidas até hoje.


‘Que filho eu seria se não devolvesse seu amor e seus cuidados? Que homem eu seria?’ Estas perguntas você usou em uma postagem nas redes sociais, que exibia uma foto com a tua mãe. Não é só sobre gratidão. Quem o Marcos Piangers se tornou?

É um esforço constante tentar ser a melhor versão que eu posso ser, reforçando os melhores valores que a minha mãe me passou e que ela tinha recebido também da mãe dela. Além dos melhores valores que aprendo com a minha esposa, minha sogra, e, por incrível que pareça, também com as minhas filhas. Porque ninguém é grande demais que não possa aprender, e ninguém é pequeno demais que não possa ensinar. Inclusive, porque eu tenho uma cobrança. Todo mundo me vê e diz: ‘Olha lá o Papai Pop’, ‘Papai mais cool do Brasil’, ‘Pai mais pai’, como o Marcelo Adnet me chamou esses dias. Mas penso que preciso me esforçar mais ainda para cumprir a expectativa dos outros, das minhas filhas e de mim mesmo. É um caminho muito prazeroso, de uma busca constante, para honrar minha mãe e agradecer por tudo o que ela fez por mim.


Foto: Evelen Torrens

Você dá ênfase que foi criado pela mãe e se lembra das dificuldades que vocês passaram. Como foi esse período?

Nós morávamos, primeiro, em um apartamento de quarto e sala em um prédio chamado ‘Solar das Palmeiras’, lá em Florianópolis, perto da Universidade Federal de Santa Catarina. Eu lembro que a minha mãe tinha amigas de porta, do Rio Grande do Sul, que tinham se mudado para trabalhar com nutrição na capital catarinense. Então, meio que minha mãe me criou com essas amigas dela. Elas saíam, brincavam, iam para a praia, me levavam para restaurantes e faziam até festa no próprio apartamento. Me lembro delas conversando, bebendo e eu dormindo, dançando. Não fiquei com mágoa ou sofrimento pelo meu pai biológico nos ter abandonado.


Em breve você poderá conferir a entrevista completa. Adquira a nossa quarta edição.

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