A nossa independência

O grito do Ipiranga. No sétimo dia de cada setembro, os brasileiros celebram a independência do país.


Foto: Freepik.com

A que nos tirou da posição de colônia portuguesa e deu possibilidades de soberania e liberdade, tanto econômica quanto política. Afinal, independência é liberdade. E liberdade é uma daquelas coisas difíceis de explicar, mas fáceis de perceber quando fazem falta. Para ser dependente, basta existir. Todos nós gostaríamos de dizer que somos independentes, que nos encarregamos de nossas próprias histórias e que temos um motivo para celebrar nossa autossuficiência. Mas, às vezes, essa não é a realidade. Às vezes, somos dependentes e descobrimos que nos importamos com outras pessoas, objetos e situações, mais do que conosco.

Independência e conhecimento

Ao responder o questionário antes da consulta médica ou no cadastro de uma loja qualquer, a pergunta: “Escolaridade, por favor?”. A resposta: “Analfabeta”. Por muitos anos, esse diálogo fez parte da rotina de Ana Juça Neto Macalossi. A aposentada é moradora de uma cidade no interior de Santa Catarina, Orleans, e é mãe de quatro filhos, tem sete netos e quatro bisnetos. Ela conta que sempre soube ler e escrever — aprendeu com a mãe —, mas que respondia que era analfabeta por nunca ter frequentado a escola.

Foto: Arquivo Pessoal Ana Juça Neto Macalossi

“Agora, com os filhos encaminhados, no auge da minha independência, posso estudar e dizer que não sou analfabeta.”, conta Ana estuda por meio do projeto de Educação de Jovens e Adultos (EJA). Antes da pandemia de Coronavírus, percorria 30 km todos os dias para ir até a escola. No sítio onde mora, não chega nenhum serviço de internet e rede de telefone, só a partir de um aparelho de celular rural, conectado a uma antena em cima da casa. Por isso, agora precisa contar com a ajuda dos professores que levam até a casa dela todo o material de estudo. “Matemática, por exemplo, eu não sabia nada. Só sabia que 2+2 era 4, porque eu contava nos dedos. Recentemente comecei as disciplinas de Artes e Geografia, porque entrei no que corresponde à sexta série do Ensino Fundamental. Estou muito contente”, comemora.


Até completar o Ensino Médio, Ana ainda tem um longo caminho pela frente, entretanto, mas ela está longe de pensar em desistir. O objetivo é poder responder a mesma pergunta que a assombrou durante anos, mas agora, com orgulho. “Escolaridade, por favor?”. A resposta: “Ensino Médio Completo”.

“Apesar de nunca terem me deixado ir à escola, sempre gostei de ler e escrever. Estudar era meu sonho. Quero poder dizer que tenho o Ensino Médio completo, para não ser mais taxada de ignorante. A hora que passar a pandemia, eu vou voltar à escola. Vou até o fim.”, conclui.

Independência emocional

Notificação no celular. Mensagem da mãe. Aperto no peito e saudade. A escritora Karen Costa, de 27 anos, é casada com o analista de sistemas Cassiano Urio há quatro anos. Na época, por causa do emprego dele, tiveram que mudar de cidade. Karen passou a morar a 300 km dos pais, tendo morado a vida toda com eles.

Foto: Arquivo Pessoal Karen Costa

Superar a dependência emocional e seguir em frente não foi fácil. “No começo, eu

senti muito a falta da presença física mesmo. Eu tenho muito na memória eu me despedindo deles para ir embora com o meu marido. Eu estava muito feliz por começar uma etapa nova da vida, mas com receio de, pela primeira vez, estar longe deles. No começo, foi muito difícil, mesmo sabendo que nos veríamos sempre, afinal, não é tão longe assim.”, relata.


Karen conta que hoje não se sente mais tão dependente emocionalmente, mas que é um processo diário. Ela e o marido tem o sonho de morar no exterior um dia, mas esse é um passo que ela pretende dar só quando estiver pronta. “Tenho medo do que vai ser de mim sem ter meus pais por perto. Penso nos filhos que quero ter, por exemplo. Em como morar longe dificultaria esses momentos em família. Mas é um esforço que depende de mim e eu quero buscar isso.”, observa.

“É um esforço que depende de mim e eu quero buscar isso.”

Independência financeira

Muita gente acha que o segredo da riqueza é um emprego bem remunerado. Sim, é mais fácil acumular ativos se você tiver mais renda mensal, mas especialistas concordam que a chave para aumentar o patrimônio líquido é gastar menos do que ganha. O problema é quando a renda é zerada de repente. Foi o que aconteceu com Ana Paula Crescencio, de 41 anos, e o marido. Os dois trabalhavam com transporte de turismo e acabaram ficando na mão durante a pandemia do Coronavírus, sem nenhuma fonte de renda. Em uma conversa com a irmã mais velha, Ana Claudia, 46 anos, Ana Paula teve uma ideia: fazer bolos para vender. “Ficamos sem trabalho desde março e faço parte do grupo de risco por ter problema renal e pressão alta. Então a ideia dos bolos com a minha irmã salvou a gente. Não conseguiria viver dependendo de outras pessoas.”, revela.

Para divulgar o novo negócio, batizado de “Doce de Anas”, as irmãs investiram na rede de contatos e também no Instagram. Criaram a conta @docedeana_s e começaram a divulgar fotos dos bolos com as descrições dos recheios: Brigadeiro com Suflair, leite em pó com morango, piscina de milho e muito mais. O resultado veio rápido. “Estamos muito felizes e pretendemos continuar.”, finaliza.


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Nota Vision Business: Que, assim como as brasileiras citadas aqui, que buscaram por independência, seja de conhecimento, financeira ou emocional, tantos outros brasileiros sigam Brasil afora lutando, diariamente, pela sua independência também. Cada um à sua maneira, com ou sem ordem e progresso, para fazer a diferença na sua história e buscando reescrever a história de um país diferente. Que o orgulho dessa nação possa ser ainda mais forte, mesmo diante de tantas adversidades.

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