A transformação do e-commerce faz crescer o número de compras


Foto: Freepik.com

Em tempos de pandemia, não foram somente os hábitos com a higiene que mudaram nos lares brasileiros.


As compras também precisaram ser reinventadas, e quem antes não fazia ideia do que era comprar pela internet precisou se readequar. O mesmo ocorreu com os empresários. De acordo com dados divulgados pela Catho, site brasileiro de classificados de empregos, a abertura de vagas de emprego relacionadas ao e-commerce cresceu mais de 160% entre os meses de março e agosto, em comparação com o mesmo período do ano de 2019.


Essa mudança foi percebida na Ativa Esportes. Especializada em artigos esportivos, e fundada em 2006, a loja, com sede nas cidades catarinenses de Tubarão e Criciúma, obteve um crescimento exponencial durante os primeiros meses da pandemia. Para o diretor da empresa, Jackson Concer, o motivo da mudança deu-se pelo fechamento temporário dos pontos físicos e da grande procura por produtos ligados a exercícios, justamente pelo fato de a população buscar manter-se mais ativa durante o isolamento social.


O canal on-line possibilitou uma alta nas vendas, mas nem sempre este meio esteve disponível na loja. Jackson conta que, inicialmente, em 2010, a empresa investiu em um projeto de e-commerce quando o brasileiro ainda se adaptava à ideia de compras pela internet. O resultado não foi como o esperado, e dois anos depois encerraram as atividades nesta modalidade. Em 2016, o estabelecimento, com um novo modelo de negócio, dessa vez focado em marketplace, entrou novamente no mercado de vendas on-line, e hoje conta com um site exclusivo para os produtos da loja, com alcance nacional.


Foto: Unsplash

Para o empresário, o conceito de loja física e loja on-line mudou. Antes, os canais de venda eram tratados como distintos, hoje estão lado a lado. “Todos estão buscando o conceito de omnichannel: comprar no site e trocar na loja; visitar a loja e receber em casa, por exemplo. Nós estamos, constantemente, trabalhando para isso. Atualmente, por aqui, um de nossos canais de venda é o WhatsApp. Realizamos todo o processo pelo aplicativo, e a entrega é feita por um motoboy. Assim, temos uma maior interação com os clientes e conseguimos proporcionar uma experiência de compra positiva e eficaz, tanto no meio on-line quanto na loja”, explica Jackson.


A visão omnichannel pode ser traduzida como soluções digitais para os consumidores, sempre buscando criar grandes expectativas, entregar experiências durante o processo de compra e permitir a convergência do físico e do virtual. Na estratégia, o cliente pode, mesmo que dentro da loja física, utilizar o aplicativo da marca para verificar outro produto similar ao que está conferindo. Ou, até mesmo, encontrar o que deseja no site, realizar a compra do produto diretamente com um dos vendedores da loja e ainda optar por receber a entrega em casa, por exemplo.


Mesmo com o crescente número de novos negócios virtuais, o poder das lojas físicas ainda é muito grande. A empreendedora Amanda Cipriano, responsável pela marca de moda praia SunFlower, fundada há dois anos na cidade de Garopaba/SC, já percebeu o impacto e as diferenças entre as vendas on-line e off-line. O empreendimento surgiu após um acidente de motocicleta, uma recuperação delicada e muita vontade para superar o momento. O negócio pequeno, que iniciou somente com vendas sob encomenda pelo Instagram, foi crescendo, conquistando clientes de outros estados, e logo o investimento no e-commerce precisou ser feito.


Hoje, a SunFlower possui um espaço físico a poucos metros da praia. “Nunca me passou pela cabeça ter uma loja física. Porém, acabei percebendo que para o meu negócio faz toda a diferença ter um ponto físico. Além de passar mais credibilidade, pois ainda há um grande número de pessoas que não gosta de comprar pela internet, facilita as vendas para as clientes da região, que podem vir até nós para provar os biquínis e roupas, e claro, para o nosso próprio trabalho, pois temos um espaço maior para o estoque das peças, por exemplo”, conta a jovem.


Ainda assim ela não descarta a importância do e-commerce, canal de venda mais rentável da marca, que durante os meses de pandemia teve os pedidos triplicados e o número de confecção de peças dobrado. “Com o atendimento on-line a facilidade é muito grande. Tanto para nós, quanto para o próprio cliente. Por exemplo, um processo que é bem simples: ele entra no site, escolhe as peças, calcula o frete, opta pelo meio de pagamento entre várias opções e finaliza a compra. Depois disso é só ficar no aguardo pela atualização. E, nós, só temos o trabalho de tirar o item do site, separar, embalar e enviar. Tudo fácil, simples e rápido”, observa Amanda.


Foto: Pexels

A estudante de direito Chayan Andrade está entre os brasileiros que passaram a comprar mais pela internet durante a pandemia da Covid-19. Moradora da cidade de Florianópolis/SC, ainda em março de 2019 ela se viu sem poder sair de casa para realizar algumas compras, e logo recorreu ao e-commerce. Um hábito que já era frequente cresceu. “Durante a pandemia, tenho dado ainda mais preferência para este meio, tendo, inclusive, adquirido algumas coisas por impulso, pois acaba sendo muito mais fácil e rápido todo o processo de compra. Nem sempre paramos muito para pensar, não é mesmo? Porém, tenho adorado poder consumir no conforto da minha casa, inclusive pedidos de comida por delivery. É um hábito que quero manter mesmo após a pandemia”, comenta a jovem.


Um estudo publicado pela Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC) mostrou que um crescente número de brasileiros aderiu às compras on-line, bem como à utilização de meios digitais para pagamentos, e estes são hábitos que a população deve manter pós-pandemia. De acordo com a SBVC, 61% das pessoas que compraram pela internet durante a quarentena aumentaram o volume de compras devido ao isolamento social. Em 46% destes casos, o aumento foi superior a 50%. E 70% entre os entrevistados declararam que pretendem continuar dando preferência para o meio on-line. Ainda conforme o estudo “Novos hábitos digitais em tempos de Covid-19”, o grande destaque entre todas as compras foram as de alimentos e bebidas para consumo imediato, os deliveries.


Delivery: uma nova esperança em meio ao caos

Com a população trancada em casa e sem muitas opções do que fazer, o número de pedidos por delivery cresceu. De acordo com dados analisados pela startup de gestão de finanças pessoais, Mobills, entre os meses de abril e junho de 2020, as compras por aplicativos de comida cresceram mais de 94% quando comparadas a janeiro e maio do ano anterior.


Guilherme Nascimento de Souza, empresário, que atualmente administra um restaurante que está há 18 anos na família, foi um entre muitos donos de estabelecimentos, que apostou nas entregas a domicílio. Desde o início da história do empreendimento, o ramo de atividade em que atua são os almoços na modalidade de buffet a quilo. Em 2020, com as complicações decorrentes da pandemia da Covid-19, o cenário precisou ser mudado.


Mesmo com as incertezas em apostar em uma nova atuação, a família foi em frente e mudou. Hoje, o negócio deles trabalha nas modalidades à la carte e delivery. O buffet acabou sendo uma opção somente para os fins de semana. A grande surpresa, além da aceitação da maioria dos clientes com o novo atendimento, foram as entregas dos pratos.


“Com a pandemia, nós precisamos parar, analisar e nos reinventar. O delivery tem dado extremamente certo, descobrimos um novo segmento, que nos traz menos desperdício e gastos com colaboradores, logo há um lucro maior”, afirma o empresário.


Além da alta dos pedidos, de acordo com dados divulgados pela startup brasileira de entrega de comidas iFood, o número de restaurantes parceiros cadastrados durante a quarentena também aumentou. De uma base com 160 mil cadastros, a plataforma cresceu para 236 mil em agosto de 2020.


Leia mais:

  • Empreender no Online: Crie seu mercado no mundo digital: Aprenda a viver de e-commerce com a estratégia que levou inúmeros negócios on-line a sair do zero e ultrapassar os R$ 100 mil em vendas por mês. DE OLIVEIRA, Bruno. Ed. Gente.

  • Não me faça dormir: O manual para você vender todos os dias usando a Internet. OLIVEIRA, Natanael. Ed. DVS

  • Por dentro do Alibaba: Como a maior empresa de e-commerce do mundo está mudando os rumos dos negócios on-line. ERISMAN, Porter. Ed. Benvirá.

0 comentário

Posts recentes

Ver tudo