Adorável ‘La dorada’


Foto: Davi Nascimento

Por Mareliza Cupolilo


Há lugares que se impregnam em quem somos. Ou, como diria meu pai: ‘Você pode até sair de um lugar, mas esse lugar nunca sairá de você’


“Desde quando Salamanca cruzou meu caminho (ou, tecnicamente, seria o contrário?), nenhum passo na minha estrada foi como antes.”


Essa cidade espanhola é chamada, pelos íntimos, de “la dorada”, em razão da coloração dourada advinda do arenito usado na construção de seus edifícios. Está localizada a 212km de Madrid e foi palco de memoráveis acontecimentos.


POR DENTRO DA HISTÓRIA

Para melhor situarmos a sua importância histórica, basta dizer que o caminho de Cristóvão Colombo à América foi aberto no Convento de San Esteban, em Salamanca. A partir de uma aproximação feita entre o famoso navegador e os reis católicos da Espanha, deu-se o aval para aquela dispendiosa empreitada.







Salamanca é, também, berço da universidade mais antiga da Espanha e uma das primeiras da Europa, fundada em 1218. Ainda hoje, passados mais de 800 anos, a Universidade de Salamanca se encontra entre as mais prestigiosas do mundo e faz girar a dinâmica social e econômica local, pois todos os anos estudantes dos quatro cantos marcham para a cidade atrás de formação de qualidade e de um mergulho profundo na cultura espanhola.


Fotos: Hoteis.com, Arquivo Pessoal Mareliza Cupolilo e Hosteleriasalamanca.es


Seu centro histórico, extenso e perfeitamente preservado, é composto por majestosos e singulares edifícios, como a Casa das Conchas e o conjunto arquitetônico das Catedrais Velha e Nova, cuja visualização é possível até mesmo por quem passa na estrada ao longe.


Ao se deparar com a fachada lateral da catedral, não deixe de buscar a enigmática figura do astronauta de pedra gravada em suas paredes e imaginar as inúmeras teorias conspiratórias que justificam sua presença numa igreja secular.


Não longe dali, em direção ao belo rio Tormes, chega-se à ponte romana, uma construção de 26 arcos que remonta a um período anterior ao nascimento de Cristo. Mas se tomarmos o sentido oposto, somos levados à Plaza Mayor, o coração pulsante da cidade, considerada a mais bela praça de toda a Espanha e, sem dúvida, o ponto de encontro preferido dos estrangeiros – e também dos salmantinos. Quem desejar marcar um encontro em Salamanca, não pense duas vezes: seja a hora que for, mas sempre debaixo do relógio da Plaza.


Aos estudantes que se aventuram por Salamanca, um conselho valioso: reza a lenda que aquele que deseja alcançar sucesso nos estudos deve encontrar a pequena rã esculpida na fachada da centenária universidade. Mas já aviso: essa tarefa não é nada fácil.

Foto: Julián Rojas

Mais difícil ainda é não ceder às tentações dos diversos bares de Salamanca. Ah, os bares! ‘Salir de tapas’ é tradição na cidade. Isso significa que, por lá, as pessoas gostam mesmo é de sair à noite, passando por diversos bares, provando ‘tapas y pinchos’ – aquilo que resumimos como entradas ou tira-gostos – sempre acompanhados de uma taça de vinho ou de uma ‘caña’ gelada. E, assim, todos adentram à noite. Enquanto na manhã seguinte... bom, a manhã seguinte sempre começa um pouco mais tarde do que em outros lugares. Ainda bem!


Além de haver sido declarada pela UNESCO como patrimônio da humanidade, Salamanca foi considerada a capital europeia da cultura. E, de fato, a história e a cultura estão nitidamente impregnadas em cada tijolo de sua construção. Assim disseram ontem; assim sempre dirão.


EU INDICO

Onde comer: Para saborear uma autêntica refeição castellana, boas opções são os restaurantes ‘Casa Paca’ e ‘El Mesón de Gonzalo’. Para uma comida cosmopolita e contemporânea, visite o ‘La Hoja 21’.


Foto: Jamon.com

Dica típica: Os apreciadores dos presuntos patas negras não podem perder a chance de degustar os selecionadíssimos ‘jamones ibericos de bellotas’, produzidos em Salamanca e arredores.


Onde ficar: Anexo a um dos edifícios mais lindos da cidade, a sugestão é se hospedar no ‘Hospes Palacio de San Esteban’.


Foto: Booking.com

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