Aposta em branding pessoal garante melhor performance e estratégia na vida e nos negócios

O que você quer significar e que emoção deseja causar no outro? Pode parecer estranho, mas marca pessoal é um dos maiores diferenciais para sair da prateleira e ser escolhido pelo seu chefe, pelo seu cliente e pelos seus seguidores. O processo de branding pessoal vale para todos as pessoas, até mesmo para quem trabalha em uma empresa e deseja ser visto de maneira diferente, sendo valorizado pelas suas habilidades, conhecimento e expertises, bem como almejando um cargo com o merecido destaque. Por isso, ‘tudo em você comunica: o que você faz e o que não faz. O que você diz e o que não diz, também’. A frase de autoria das cocriadoras do Método Bold e Branding Day, Nilma Quariguasi e Bruna Fioreti nunca fez tanto sentido.

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Capacitada pelo método, a jornalista, consultora de comunicação e mentora de marca pessoal, Vanessa Mendes, compartilha com os leitores da Vision Business estratégias e elementos que vão ajudá-lo na re(construção) da sua marca. Segundo ela, o universo de marca é muito amplo, mas dar o primeiro passo é a chave para encontrar o seu rumo ou aprimorar o já existente, e empacotar tudo que você entrega (serviço ou produto) de uma forma diferente e única.

“Às vezes, o que você mais precisa já está dentro de você. Dê a si mesmo a oportunidade de descobrir-se, de se investigar e de se lançar no desconhecido. E, quando se descobrir, assuma-se e mostre a sua potência. É sabido que a viagem pode ser solitária, mas você viajará mais longe.”, encoraja Vanessa Mendes.

“Acabe com a pessoa que você nasceu para ser, para se tornar a pessoa que você quer ser.”

A profissional explica que, a pessoa que deseja ressignificar ou construir a sua marca pessoal, precisa mostrar ao longo do processo o seu talento, a sua voz, o tom da sua comunicação, o seu superpoder e aquilo que faz com tanta autenticidade e autoridade, para impactar o mundo de um jeito único. “O seu projeto de vida, o seu rumo, é norteado pelas escolhas que você faz. Quando você escolhe alguma coisa, você abre mão de outras. Por isso, não absorva a pressão da sociedade. Nós não temos que fazer tudo. Seja essencialista. Quem não escolhe deixa que os outros escolham por ele. Para que isso não aconteça, seja assertivo, elimine, foque, execute. Fique em paz com as suas escolhas. Esteja ciente do que é a sua prioridade.”, compartilha.

Vanessa comenta sobre alguns mantras aprendidos no método e que transformam a maneira como pensamos marca pessoal. Eles nos fazem refletir e nortear sobre o processo de construção. “Nós não controlamos os outros, mas podemos controlar os sinais que emitimos. Marca pessoal não é só essência nem um personagem. É método e constância. A repetição cria a consistência, que cristaliza a marca. Diante disso, valorize o que tem de único, não necessariamente só o que tem de bom, porque toda marca carrega uma história e nós devemos honrar e respeitar a nossa. Branding pessoal requer coragem, e ela vem do porquê por trás da sua marca. Portanto, aplique.”, orienta.

Um efetivo para a marca pessoal tem a ver com o controle da imagem que transmite. “É preciso saber mirar, treinar o olhar. Observar a vida com um olhar de criatividade. Viver novas rotinas. Empacotar de um jeito diferente, entregar-se ao processo. Aqui você precisa tomar nota e identificar sua paixão, garra, vocação, chamado, legado, propósito, meta, projeto, rumo e vontade. Às vezes, estamos vivendo um estilo de vida que não é o nosso, então é preciso nos perguntarmos: ‘Qual o estilo de vida que eu quero para mim? O que é importante?’ E, aqui, é preciso ter muito bem definido o que você não tolera, o que vai contra os seus valores. Uma marca pessoal forte tem relação direta com olhar para dentro e, por isso, é preciso vasculhar até encontrar o seu diferencial.”, explica.

Marca independe de PF ou PJ

Quando se trabalha no processo de uma marca, muitos itens são ponderados, porque ter uma marca que é referência e impacta na vida das pessoas e nos negócios da empresa requer habilidade e estratégia. O cuidado com a sua imagem, a do seu negócio ou a do seu produto pode torná-lo desejado em relação à concorrência.

Se esses fatores são decisivos no momento de atrair clientes, realizar vendas ou firmar contratos, quando se trata de pessoa jurídica, com a sua marca pessoal a premissa é a mesma. “Sabe aquele colega de trabalho que senta ao seu lado e passa credibilidade e confiança a todos os seus superiores? Todos eles possuem uma marca pessoal forte que os tornam altamente atrativos para empresas contratantes. Entende, agora, por que fazer branding pessoal, mesmo sendo funcionário de uma organização, pode mudar o rumo da sua vida?”, questiona a especialista.

“É engraçado, mas quando nos sentimos seguros na área em que atuamos, significa que não estamos trabalhando na área certa.”

“David Bowie disse em uma entrevista: ‘sempre vá um pouco mais para a água do que você sente que é capaz de entrar. Saia da sua profundidade e quando não sentir que seus pés estão tocando no fundo, você estará no lugar certo, para fazer algo emocionante’, isso é marca pessoal. Você precisa sentir. Só gostar do que faz não é o suficiente”.


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Vanessa relata que, para engajar uma pessoa, seja para curtir, comentar, salvar uma foto ou um vídeo, enviar à outra pessoa, você precisa ir além de uma imagem bonita. Precisa, de fato, comunicar alguma coisa. “Clareza das escolhas faz toda a diferença, e com isso, saber o que realmente deseja para a sua marca. Ter respeito com quem está na sua rede é substancial. Valorizar as pessoas que honram o teu conteúdo. Por isso, uma dica que funciona é intercalar humor, criatividade e informalidade. Tem que fazer sentido para você. E, assim, olhar os movimentos do mercado, transcender as plataformas. Hoje, os vídeos estão em alta, o áudio é uma tendência, então consuma podcasts, que é uma comunicação ultranichada, por exemplo”.

Em tempo de pandemia e na busca pela diferenciação no novo mundo, a profissional explica que hoje as pessoas estão conectadas com os valores da marca. Precisa ser útil e acrescentar algo na vida do outro. “Por isso que não podemos estar apaixonados pelo nosso negócio, temos que estar desapegados o suficiente, para transformá-lo quando necessário. A marca não é algo estático, você precisa evoluir junto com o mercado, revisitar suas ideias, formatos, pensamentos e até quem você é”, destaca.

Nos últimos meses, segundo Vanessa, recebemos informações de todos os lados. Tem muito de tudo. Não podemos nos sabotar, então a nossa presença digital deve trazer algo único, autêntico. E ela nos questiona sobre o que tem nos impedido de ir para a arena: nossas crenças limitantes, falta de confiança, medo de ser criticado ou dificuldade para ser reconhecido?

Para ela e para a grande maioria dos especialistas em branding pessoal, existem razões internas e externas que nos limitam. Existe o que está fora do nosso controle: coisas que aconteceram ou que foram herdadas. “Se conselhos ou dicas forem te incentivar a ir atrás da marca, daquilo que faz sentido para você, tome nota: desconstrua o que está te barrando. Acabe com as crenças negativas de achar que não é merecedor de realizar os seus sonhos. Não desvie do seu caminho. Nós temos, sim, a capacidade de andar sozinhos”, empodera Vanessa.

Como você se comporta em relação às críticas? Porque elas virão!

Ninguém quer passar pela dor, pela rejeição. Então é comum nesse processo de transição de carreira, de transformação da sua marca surgirem muitos questionamentos. Quais as críticas que importam? De quem você vai ouvir? Quais você vai administrar? Quem você vai escutar?


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Vanessa defende que “uma coisa é certa, você pode aceitar críticas de quem estiver na arena também, de quem estiver fazendo. Isso é inquestionável. Ser criticado por quem não vai atrás, como você, não faz sentido. Não aceite crítica construtiva de quem nunca construiu nada. Por isso, filtre, sim, as críticas. Isso lhe dará paz de espírito. Isso se chama escolha e marca pessoal é feita de escolhas”, recomenda.

De acordo com a especialista, também é bom receber críticas, porque é um sinal de que você tem relevância. Existem críticas que não nos fortalecem e outras que nos proporcionam Aprendizados.

Os medos mais comuns

“Medo da mudança. Medo do diferente. Ninguém passa ileso ao medo. Então, se eu puder contribuir, que você tenha medo de ficar parado. A vida é um movimento. Então, pergunte-se: o que eu faço que pode mudar a vida das pessoas? Feito isso, pare de se comparar e desconstrua os certos e errados”, enfatiza Vanessa Mendes.

Quando os clientes chegam até a agência da especialista, a maioria diz: “Eu quero ser uma marca memorável”. E ela garante: “Todos nós podemos, sim, ser uma marca desejada, disputada e especial, digna de uma comunidade de defensores (os tais advogados da marca). E esse processo de re(branding) encoraja-o a se enxergar como uma tela em branco, na qual você possa se despir da comparação, dos modelos que estão dando certo. Em algum lugar aí, dentro de você, tem alguma habilidade única. Potencialize, seja uma marca autêntica, disruptiva e tenha coragem de quebrar padrões”, pontua

Outra dica valiosa que Vanessa compartilha diz sobre praticar o exercício da sinceridade. Segundo ela, as pessoas precisam avaliar o que não as estão deixando expandir. “Coisas que você acredita e estão te limitando, como: aqui na minha cidade isso não funciona, na minha área não dá certo, a concorrência é grande demais, não tenho tempo, não tenho dinheiro etc. Saiba que a criatividade é o maior recurso que você pode ter, pois por meio dela você tem um gancho incrível para começar uma comunicação diferenciada. Não saber o que quer da vida, a falta de um rumo, de algo que te joga para cima e te faz vibrar é o principal indício de que você precisa de ajuda para se descobrir”.

A especialista brinca que isso nos faz desenvolver duas síndromes, “a da impostora, na qual você se sente uma fraude, como se não pertencesse àquela categoria e que não se sente suficiente, negando as oportunidades. E a síndrome da boa aluna, já que se tem o desejo de ser a aluna nota dez, pessoa perfeccionista, que tem dificuldade de dizer não e, por isso, diz sim para as coisas que não quer.

Dessa forma é importante saber lidar com as síndromes e fazer as pazes com a sua história e com as suas escolhas”.

“Excelência é qualidade, perfeccionismo é defeito.”

Um dos processos mais interessantes no Branding pessoal é não olhar os concorrentes como uma ameaça. Com isso, pensar como pode somar, mudando de autopercepção. “Colaborar aumenta o nível de felicidade. A marca é viva. Não seja anacrônico. Aja, dê pequenos passos, combata as crenças limitantes. Conte para as pessoas como você se sente. Experimente essa conexão. A Bruna Fioreti usa um mantra que faz sentido: ‘O foda-se tem poder’. Não dá para ficar pensando o tempo todo na opinião alheia. Vá com o que tem e coloque a sua marca para o mundo. Use a sua sabedoria. Compartilhe as suas vulnerabilidades. A arte de contar histórias é mais importante, porque ela conecta as pessoas pela emoção.

Ser antifrágil

Quais habilidades eu já deveria ter desenvolvido? A pandemia nos ensinou que precisamos ser antifrágeis e que devemos passar pelo dano e voltar mais fortes. “Não é só sobre sermos resilientes. É bacana causar um pouquinho de caos nos sentimentos, isso inclui o amor. Aventurar-se e não levar as críticas a ferro e a fogo. Quem tenta te prejudicar é quem mais te ajuda a ser antifrágil. O aprendizado vem da prática e só depende de você. Querer aprender é uma grandiosa oportunidade de evoluir genuinamente.”, acrescenta.


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Segundo Vanessa é preciso trazer a responsabilidade pra si e manter-se na sua direção. “Se houver necessidade de revisar, tudo bem, mas abrace o que é aleatório, moldando os seus objetivos, a carreira e a vida. Benjamin Hardy já dizia ‘força de vontade não funciona’. Coloque-se em situações adversas. Somos a soma do que a gente é com o ambiente, então supere limites e molde o ambiente.”, instiga.

A mentora em Branding Pessoal orienta para que possamos ler coisas diferentes, a fim de aumentar o repertório. “Se gosta de MPB, discipline-se a ouvir música clássica. Se lê romance, desafie-se a ler história, drama ou ficção. Aprecie arte. Coloque-se numa situação de desconforto. Quando digo não para o outro, digo sim para mim. E, lembre-se: o que importa é o nível de entrega e não a quantidade. Seja impecável na sua entrega. Os nãos que você diz hoje o levarão aos seus objetivos.”, finaliza.

BE YOURSELF

Vanessa aproveitou os tempos difíceis, gerados pela pandemia, para encorajar pessoas no processo de branding pessoal, inspirando ou atuando com profissionais que desejam construir uma marca que faça sentido na vida das pessoas, que tenham uma entrega útil ao mundo.

Segundo ela, quando você vive momentos complicados, tem uma tendência à inércia e aí você precisa agir, mesmo com pequenas ações, para se fortalecer. Acostumar-se a correr riscos, em cenários novos é uma oportunidade de crescimento.

“Só se faz o caminho, caminhando. Vai com medo mesmo. É na ação que a mágica acontece.”

“Não é a ferramenta que usa a gente. Somos nós quem usamos a ferramenta. Sabendo quem somos e o que queremos, temos capacidade de adaptar e comunicar a nossa marca em qualquer lugar e de qualquer maneira. É comum que o ser humano viva com medo de perder o emprego, oportunidades, de não crescer ou de não ter sucesso, mas é preciso entender que a nossa potência maior está dentro da gente. Vire jogo. Seja você”.

Cinco mudanças que preciso fazer agora:

  • os nãos que preciso dizer e estou adiando;

  • com o que ando perdendo tempo e não precisava;

  • pessoas que me fazem mal;

  • o que, no meu estilo de vida e dia a dia, não combina com o que desejo;

  • frases e crenças que repito muito e deveria abandoná-las.

Em tempos difíceis, vale aprender para a carreira

1. Conceito da supraidentidade

A nossa identidade digital tem tanto ou mais valor que a off-line. Rede social é um lugar de fazer negócio, para fazer relacionamento.

2. Vender-se

Vender o meu peixe. Não se vende só quando arrasta a tela. Se você constrói uma marca

pessoal forte, você consegue vender sem nunca vender. Quanto mais forte e sólido maior a

conexão e melhor você é compreendido.

3. Gerar valor

Proporcionar algum conteúdo que seja gratuito, que tenha utilidade. Coisas boas que sabe, pode dividir, e que as pessoas se sentirão gratas. Comunidade tem poder. Tem muita gente nessa rede social.

4. Posicionar-se

A favor ou contra. Tenha clareza sobre o que pensa, o que faz, o que aceita, e sobre quais as relações que possui.

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