Arroz orgânico ganha espaço na mesa do brasileiro

Opção tem conquistado cada vez mais adeptos preocupados com a alimentação e a produção sustentável.

Fotos: ferepik.com

O arroz é o segundo alimento mais consumido no mundo e o terceiro cereal mais produzido no planeta, atrás apenas do milho e do trigo. Ele, que está presente diariamente na mesa do brasileiro, pode ser encontrado nos supermercados com uma grande variedade de opções. Entre elas estão os arrozes branco e integral, que também são comercializados em opção orgânica. Este tipo de arroz tem conquistado cada vez mais adeptos preocupados tanto com a alimentação, já que é mais saudável, quanto com a produção sustentável.

A dona de casa Loly Cardozo Costa decidiu, há cinco anos, que iria optar mais por produtos orgânicos e naturais. Além de itens de higiene pessoal e maquiagens, também passou a comprar alimentos, entre eles, o arroz orgânico. “Saúde é a minha principal motivação. Quando consumimos produtos orgânicos, estamos deixando de ingerir os agrotóxicos e pesticidas utilizados nos alimentos tradicionais. Além de, claro, serem mais saborosos. Sempre falo aqui em casa que somos o que comemos”, conta.

Para Loly, o que dificulta é o valor dos produtos orgânicos, que muitas vezes chegam ao dobro dos convencionais. “Apesar de o custo-benefício ser grande, ainda acho caro. Mas também preciso ser justa e falar que os preços já foram ainda mais altos. Acredito que, hoje, haja muito mais produtores envolvidos, com isso tenho esperança de que o preço melhore ainda mais”, diz.


O arroz orgânico merece ser mais caro

O engenheiro agrônomo e responsável pelo Programa Grãos da Epagri no Sul Catarinense, Douglas George de Oliveira, defende que o arroz orgânico é mais caro, não necessariamente porque precisa, mas porque merece. Ele é cultivado organicamente e não passa por pesticidas ou fungicidas durante todo o processo, desde as sementes até a embalagem ao contrário da produção de arroz convencional, que muitas vezes acontece a partir da aplicação de adubos químicos no solo, por exemplo.


“O alimento orgânico é mais caro, mas ele vem carregado de um ambiente menos contaminado, de um produtor rural melhor remunerado e um sistema com uma ‘pegada’ ambiental muito mais favorável. Temos estudos que dizem que, do ponto de vista de utilização de energia, a produção orgânica de arroz chega a ser 30% mais eficiente do que a produção convencional, sem falar de todos os benefícios nutritivos”, defende.

Mas o profissional ressalta: o arroz orgânico é muito mais do que um produto em que não são aplicados agrotóxicos e pesticidas. Para ele, tudo faz parte de um processo complexo de manejo do sistema de produção, no qual “o objetivo é reduzir ao máximo o aporte de interferências e insumos externos à produção. A adubação sintética solúvel, por exemplo, também é proibida. A ideia é minimizar a necessidade de intervenção. Todo o sistema precisa ser readequado, inclusive a parte de nutrição das plantas, com o uso de adubos verdes”.


O profissional explica que a produção orgânica também tem a ver com o ambiente. A ideia é sempre adotar práticas de minimização do impacto ambiental. No caso do arroz orgânico, são utilizadas várias técnicas de gestão da água, para melhorar a eficiência. Para isso, são empregados sistemas de reaproveitamento, diminuindo a necessidade de captação, sem devolver a água suja para os mananciais.


“As pessoas reclamam do ambiente contaminado e muitas vezes terceirizam para a agricultura a responsabilidade pela degradação ambiental. Mas quando um indivíduo escolhe consumir um produto mais barato, ele também está sendo responsável pela forma como aquele alimento foi produzido. A Epagri tem um histórico grande de trabalhos nessa área, mostrando para os produtores, na prática, como produzir. A gente trabalha com geração de tecnologia, além de pesquisas, para melhorar cada vez mais a produção. É a Epagri, como instituição pública, cumprindo seu dever de promover mudanças e melhorar as condições para os agricultores e para os produtos que chegam à mesa dos brasileiros”, enfatiza Douglas.


Para o dentista Roger Nichele, brasileiro morando nos Estados Unidos, a mudança no comportamento para passar a consumir mais produtos orgânicos se deu também pela preocupação com o meio ambiente. “Acredito que a produção dos orgânicos acaba agredindo menos o nosso ecossistema. Por aqui, procuramos além do arroz, consumir ovos, por exemplo, que vêm de galinhas que são criadas livres, e não presas. Pelo menos aqui nos Estados Unidos, acho que as pessoas estão ficando mais conscientes, já que a mídia está mostrando o quanto a nossa existência no planeta está afetando a mãe natureza”, justifica.


Dificuldades para a produção

Para Enio Marchesan, engenheiro agrônomo e professor titular na Universidade Federal de Santa Maria, a grande dificuldade na produção de arroz orgânico é obter níveis de produtividade que estimulem a adoção do sistema por parte dos produtores.

A relação entre a produtividade e o valor do produto deve ser favorável para a tomada de decisão em favor do sistema de produção.