Arte, esporte ou entretenimento: como ocupar o tempo livre aos finais de semana?

Com o isolamento social, entre a procura por atividades mais caseiras, os brasileiros dão preferência às plataformas de streaming.


Foto: freepik.com

Entre as muitas mudanças causadas pela pandemia do coronavírus, uma das áreas mais afetadas na vida de milhares de brasileiros foi a rotina. Desde famílias que precisaram se reinventar com as crianças em casa até pessoas que tiveram os planos transformados por completo. Não importa o local, o que mais existem são relatos relacionados à necessidade de se adaptar a uma nova realidade.


Mais de um ano após o primeiro caso de Covid-19 no Brasil, a maioria das cidades não está mais impondo lockdown diário. Porém, isso não significa que o desafio chegou ao fim. Com tempo livre, aos finais de semana, principalmente, grande parte da população ainda busca se reinventar para ocupar as folgas com cuidado e precaução.


O esporte tem sido uma dessas escolhas. Uma pesquisa feita pelo buscador do Google mostrou que a pandemia tem estimulado a prática esportiva entre os brasileiros. Quem era adepto ao futebol agora tem procurado novas opções para se divertir.


Entre março e novembro de 2020, as buscas por exercícios em casa cresceram duas vezes mais, com destaque para o ciclismo e a natação. Além disso, os dados também mostram que 39% dos entrevistados aderiram a alguma nova modalidade nesse período.


As práticas ao ar livre também se tornaram populares. O desejo por estar perto da natureza, após semanas reclusos em casa, ganhou ainda mais importância. O mesmo estudo informa que 41% dos brasileiros se exercitaram ao ar livre e 23% buscam informações sobre esportes externos individuais, como o surf e o skate.


O profissional de marketing Nicolas Ribeiro Fernandes é um desses brasileiros. Morador de Imbituba/SC, ele se envolveu com a prática do surf há quatro anos, e desde então ocupa todo o tempo livre com o esporte. Durante boa parte da quarentena, o surfista deu preferência a permanecer, até mesmo aos finais de semana, em casa. Mas com a flexibilidade dos decretos e muito cuidado, foi retomando a atividade.


Agora, ele busca manter a distância ao longo de todo o trajeto até a praia e escolher locais sem tantos surfistas na área. “Foi difícil no início. Muitos dias sem surfar e eu já fico desanimado. O surf, para mim, é um dos esportes mais satisfatórios, capaz de tirar um peso das costas. Sempre saio da água mais leve e com disposição”, comenta o imbitubense.

A arte como forma de ocupar a mente

Já Pamella Pereira, estudante de psicologia, conseguiu achar algo bom em meio ao caos que a pandemia gerou. A jovem usou a arte para ocupar o tempo livre. Um hobby que já existia se transformou: dos desenhos livres para as mandalas. Com muito estudo, preparo, testes e experiências, logo descobriu que a atividade poderia se transformar em uma fonte de renda.

Foto: Arquivo pessoal Pamella Pereira

A pandemia favoreceu totalmente esse processo. É até estranho falar isso, pois estamos vivendo uma loucura, com medo do que está acontecendo, mas eu realmente descobri algo bom nisso tudo. Comecei a estudar por conta e aprendi. Fui do papel e caneta para as placas de MDF, pincéis e tintas. Hoje, a produção das mandalas toma conta dos meus finais de semana. Uso a arte como uma forma de ocupar o meu tempo e aliviar as questões mentais, descarregar mesmo. Muito mais que uma renda extra, é um trabalho que faço com dedicação e amor”, conta a artista.


Assim como Pamella, muitas pessoas precisaram se reinventar durante esse período, já que a área trabalhista foi uma das que mais sofreu nesses meses. De acordo com o IBGE, mais de 11 milhões de trabalhadores perderam os empregos entre março e julho de 2020. Em contrapartida, nesse mesmo ano o Portal do Empreendedor registrou mais de 550 mil novos microempreendedores, sendo 16 mil a mais que no ano anterior.


O amor pelas palavras

Foto: Arquivo pessoal Maria Eduarda

Maria Eduarda de Aguiar da Rosa está entre os milhares de brasileiros que adoram e estimulam o hábito da leitura, diariamente. Esse costume rotineiro está presente na vida de 52% dos brasileiros, de acordo com o estudo Retratos da leitura no Brasil. Os resultados apontam, ainda, que em média a população lê cinco livros por ano e que entre os fatores que mais influenciam está o incentivo de outras pessoas; um a cada três entrevistados afirmou que alguém os estimulou a ler.