Bancos digitais ganham espaço

Fenômeno já se consolidou, e a tendência é ficar cada vez mais forte.


Foto: freepik.com

Ir presencialmente a alguma agência é uma tarefa que, para algumas pessoas, ficou no passado. Já é perceptível a mudança nos espaços tradicionais em relação a modelos digitais. As opções de bancos digitais e as carteiras para pagamentos virtuais estão aumentando cada vez mais e agitando o mercado. O movimento de surgimento dos bancos digitais não acontece só no Brasil, mas no mundo todo. Prova disso é que os bancos tradicionais mundo afora estão se tornando digitais ou lançando novas marcas para a linha digital. É um fenômeno que já se consolidou, e a tendência é ficar mais forte.


Tudo tem mudado por causa das startups, chamadas Fintechs (termo do inglês que une as palavras financial e technology e refere-se a empresas que trabalham para inovar e otimizar serviços do sistema financeiro) – como o Nubank, o Banco Inter e Neon, por exemplo –, que permitem que o cliente faça tudo digitalmente, pelo celular.


Vitor Almeida, de 26 anos, atua como product designer e usa um banco digital há seis anos. Decidiu que faria o teste por sugestão de amigos e acabou, aos poucos, substituindo todos os serviços que utilizava dos bancos tradicionais.


Foto: arquivo pessoal Vitor Almeida

“Odeio burocracia e textinhos escondidos. Só a ideia de ter que me deslocar para agências físicas e gastar tempo que poderia estar aproveitando me deixa mal. Demorei dois anos pra fechar uma conta em um banco físico porque não queria ir à agência”, admite.


Durante o tempo em que tem utilizado os serviços digitais, Vitor só enfrentou problemas relacionados ao banco uma vez. “Meu cartão foi clonado, e uma compra foi feita na China em um valor alto. Mas bastou enviar uma mensagem no chat do aplicativo do banco digital e eles resolveram tudo. Bloquearam meu cartão, enviaram outro e cancelaram a compra”, lembra ele.


Perfil de quem usa os bancos digitais

Um levantamento da Cantarino mostra qual é o perfil do usuário que opta por contratar uma Fintech. De acordo com a pesquisa, 48% dos entrevistados que escolhem a plataforma digital têm até 29 anos, sendo que apenas 27% deles são usuários dos bancos tradicionais.


É o caso da estudante Isabel da Silva Nunes, de 20 anos. Ela chegou a ter apenas uma conta em um banco tradicional, mas não conseguia ter acesso às transações pelo celular e, muitas vezes, precisava procurar um caixa eletrônico para conferir as informações. Cansada da burocracia e também das taxas cobradas, procurou um banco digital que atendesse às expectativas. Isabel encontrou e não se arrepende. Hoje, utiliza a conta para receber salário, guardar dinheiro, pagar boletos e realizar transferências.


“A conta digital proporciona muitas facilidades, e um dos principais benefícios que encontrei nela é que posso guardar meu dinheiro e não pagar tarifas abusivas por isso. Sem contar que o dinheiro rende e tenho fácil acesso a ele; se eu quiser resgatá-lo para pagar algo ou transferir, já está ali na mão. Eu tenho ainda a conta no banco físico, mas nem se compara, até já tentei cancelar e encontro dificuldades. Mesmo sem usá-la, eles ainda cobram tarifas”, reclama a estudante.


Perfil dos clientes das Fintechs


Dúvidas sobre bancos digitais

Foto: Leo Aversa

Nathalia Rodrigues, CEO e fundadora do Nath Finanças, um canal do Youtube criado para ensinar sobre educação financeira, recebe todos os dias dezenas de dúvidas sobre bancos digitais. Em um dos vídeos produzidos para o canal, Nath falou sobre o assunto: “As contas digitais vieram para transformar a forma como lidamos com dinheiro. Eu apoio as contas digitais porque você não é julgada pela forma com que você se veste, a sua cor da pele ou classe social. Sem falar que são oferecidos vários serviços, como transferências gratuitas, pagamentos de boleto, depósitos, opção de dividir a conta com os amigos e muito mais”, declara.


Sobre a segurança, Nath explica que a tecnologia tem colaborado muito neste sentido. “As contas digitais contam com criptografia, autorização de dispositivo e diferentes senhas, para garantir que seus dados estejam protegidos. Vale lembrar que transacionar pelo celular tende a ser mais seguro que pelo caixa eletrônico, por exemplo. Além disso, a grande maioria das contas convencionais oferece pelo menos algum tipo de controle digital. Então é a mesma segurança, só que sem a dor de cabeça”, analisa.


O que é uma conta digital?

A conta digital permite o acesso remoto utilizando a internet. A conta faz parte do que passou a ser conhecido como internet banking, a oferta de serviços por bancos via internet, seja por um site ou um aplicativo específico. Os principais bancos do país, como Banco do Brasil, Caixa, Itaú e Bradesco, oferecem o serviço. As fintechs que atuam no país também, como NuBank, Neon e Inter.


Quais são as diferenças para as instituições tradicionais?

As contas e carteiras digitais trazem algumas facilidades. Em primeiro lugar, dispensam o deslocamento do correntista até agências ou caixas eletrônicos. Em segundo lugar, permitem a realização de transações fora dos horários de funcionamento das unidades bancárias, embora as instituições em geral mantenham limite para o processamento de operações. Por outro lado, geraram impacto sobre os profissionais do ramo financeiro, como o enxugamento de postos de trabalho nessas instituições.


O que são carteiras digitais?

O nome carteira digital é utilizado para designar meios de pagamento e transações pela internet. As carteiras digitais não precisam ser necessariamente feitas por bancos, mas podem congregar e interagir com contas bancárias e cartões de crédito. Permitem fazer compras e pagamentos diretamente em máquinas (as conhecidas maquininhas de cartão), bem como transferir dinheiro para carteiras digitais de outras pessoas. São exemplos: PayPal, PicPay e ApplePay.


Quem opta pelos dois modelos

Apesar do novo modelo de banco, há consumidores que permanecem fiéis aos bancos tradicionais. Mas também há aqueles que optam pelos dois modelos. É o caso da dona de casa Érica da Silva, que enxerga vantagens e desvantagens em cada tipo. “No banco tradicional, a vantagem é que você pode ir até a agência e resolver os seus problemas. No caso do digital, se tiver alguma dúvida, você precisa acessar o chat. Mas o digital tem suas vantagens, claro, já que a maioria não cobra tarifa por TEDs, por exemplo. Existem muitas opções”, diz.


Para o consultor financeiro Matheus Carvalho, tudo depende do perfil da pessoa. “Quando a gente está falando sobre pessoas mais velhas, por exemplo, os bancos tradicionais têm inúmeras vantagens. Há pessoas que ainda gostam da facilidade de poder ir ao banco e pagar a conta direto no caixa pois têm a sensação de segurança. Isso é um benefício para a pessoa, que se sente feliz assim. Mas para um público que vive mais agitado, como as novas gerações, os bancos digitais são incríveis. O fato de não precisar ir até um local para resolver os problemas, para eles, é uma coisa boa”, analisa.


0 comentário

Posts recentes

Ver tudo