Bilionários sem ensino superior

Existe um pensamento presente na sociedade de que é necessário não parar de estudar para se ter uma carreira bem-sucedida.


Diversos pais ensinam os filhos desde cedo sobre a importância de ingressar em uma faculdade. Mas essa realidade não é de toda uma verdade. Algumas das pessoas mais ricas do mundo não concluíram o ensino superior e mesmo assim conquistaram seus sonhos e objetivos. Nomes conhecidos como Bill Gates e Mark Zuckerberg estão presentes na lista dos bilionários sem ensino superior publicada pela Forbes.


Foto: Technologyreview.com

Bill Gates

O empresário iniciou os estudos duas vezes, mas acabou abandonando os cursos de Matemática e Direito na Universidade de Harvard. Em 2007, ele recebeu o diploma honorário de doutor em Direito também em Harvard.

Fortuna: US$ 130 Bilhões

Fonte da fortuna: Microsoft


Foto: Getty Images

Mark Zuckerberg

O fundador do Facebook também iniciou os estudos de ensino superior, tendo ingressado em Psicologia e Ciências da Computação, mas abandonou ambos os cursos para poder se dedicar, exclusivamente, ao desenvolvimento da rede social.

Fortuna: US$ 100 Bilhões

Fonte da fortuna: Facebook


Foto: Business Insider

Françoise Bettencourt

Considerada a mulher mais rica do mundo, a francesa herdeira de uma das maiores empresas de cosméticos optou pela graduação em Matemática, mas também abandonou o curso durante o primeiro ano de estudos.

Fortuna: US$ 66 Bilhões

Fonte da fortuna: L’OREAL


Foto: Fashion Network

Amancio Ortega

Diferente de Bill Gates ou Mark Zuckerberg, Amancio Ortega sequer concluiu o ensino médio. O empresário espanhol, fundador da Inditex, abandonou os estudos ainda com 14 anos para trabalhar como office boy.

Fortuna: US$ 63 Bilhões

Fonte da fortuna: Zara


Foto: Encyclopedia Britanica

Larry Ellison

O americano é cofundador da multinacional de tecnologia e informática Oracle. O empresário chegou a se matricular na escola de Ciências da Universidade de Illinois, mas abandonou o curso após o falecimento de sua mãe. Posteriormente, tentou novamente o ingresso no ensino superior, cursando um semestre na Universidade de Chicago.

Fortuna: US$ 80 Bilhões

Fonte da fortuna: Oracle


É necessário dar continuidade aos estudos para ter sucesso na carreira?

Trilhar um caminho para ter uma carreira bem-sucedida nem sempre é fácil. Há diversas dificuldades e incertezas. Quando se é jovem, o mundo parece ter muitas possibilidades, e nem sempre as decisões tomadas são as melhores em longo prazo. Entre elas está a escolha pelo ensino superior. Uma certeza presente na vida de muitos, mas que pode virar um poço de improbabilidades.


De acordo com dados do Censo relativos a 2015 e divulgados em 2016 pelo Inep, há no Brasil 33 mil cursos de graduação em 2.364 instituições de ensino superior, que ultrapassam oito milhões de alunos matriculados.


Professor universitário há 19 anos e realizado na profissão, Mario Abel Bressan Júnior nem sempre soube o que queria para o futuro. Formado em Publicidade e Propaganda, ele só foi descobrir que gostaria de lecionar depois de trabalhar diretamente com alunos e professores. Ele conta que a formação acadêmica, somada a todos os estudos posteriores, de mestrado e doutorado, tiveram suma importância em sua trajetória pessoal e profissional.


“Foi a partir do trabalho como secretário na coordenação do curso no qual me formei que o meu olhar para a docência despertou. Hoje, eu não sei fazer outra coisa, exceto ser professor. Houve uma transformação muito grande comigo dentro da universidade. Eu entrei um menino e saí totalmente diferente, com outra vivência. Aquele guri tímido que entrou saiu um cara capaz de expressar suas ideias e decidido a investir em uma carreira”, relata.


Mas, diferente da experiência positiva do professor, essa não é a realidade de todos os brasileiros. Segundo o Censo divulgado pelo Inep, os números mostraram um acréscimo na taxa de desistência do curso de ingresso, quando comparados a quatro anos antes. Em 2010, 11,4% dos alunos abandonaram o curso para o qual foram admitidos. Já em 2014, esse número chegou a 49%.


Para Mario, isso ocorre justamente porque na universidade o estudante muda, se descobre, e às vezes escolhe outra opção. “É muito mágico, porque é só passando pelo ensino superior que o aluno vai ter esse contato com a pesquisa e a extensão. Gera grande impacto na vida das pessoas, desse indivíduo, vivenciar esse aprendizado, que não é somente um aprendizado pedagógico, do ponto de vista teórico daquele determinado curso, mas de vida mesmo”, comenta o professor.


Já Marcos Andre do Rego Silva, mentor e coach de carreiras desde 2008, acredita que devido ao momento em que a sociedade vive, no qual toda a informação está na palma da mão, é necessário sair da zona de conforto e se preparar para os desafios. Assim como o professor, ele também defende a necessidade do ensino superior, mas ressalta a importância de ir além e não ficar preso à ideia de que apenas isso é suficiente.


Foto: Surface/Unsplash

“A pessoa com ensino superior amplia, sim, as possibilidades, porém precisa buscar mais conhecimento e levar tudo o que aprende para a prática. O importante é entender que a nossa capacidade de enfrentar problemas e desafios na vida, e na profissão, depende exclusivamente da nossa capacidade de reter conhecimento”, esclarece o mentor.


Além disso, o coach ainda chama a atenção para que não se caia na generalização do sucesso. De acordo com ele, não é porque grandes empresários como Bill Gates ou Mark Zuckerberg tiveram brilhantes carreiras que essa é a receita a ser seguida. “As pessoas pegam casos potenciais e generalizam. O fato de alguns empresários de sucesso não terem estudo não é suficiente para dizermos que eles não são importantes. Mas, ao mesmo tempo, acreditar que com o ensino superior sua carreira de sucesso já está garantida é um equívoco. É preciso aliar o estudo à iniciativa de desenvolver as próprias competências comportamentais”, aconselha Marcos.


Mario, que passou a vida perto das salas de aula, também chama a atenção para o perigo dessa comparação. “Eu acredito que são casos e casos. É um tiro certeiro que essas pessoas fizeram, investiram em um negócio delas e deu super certo. Há centenas de pessoas que podem, sim, abrir mão do diploma e empreender de uma maneira tão positiva e rica. Mas, mesmo assim, eu sempre aconselho que todos devem ter esse contato com o ensino superior. O meu papel como professor é justamente mostrar que é preciso continuar sempre subindo em busca de conhecimento”, afirmou.

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