Capitais brasileiras onde é mais rápido abrir uma empresa


Foto: Cassiano Psomas

Na capital catarinense Florianópolis, é possível abrir uma empresa em até cinco horas.


Ter uma ideia e começar um negócio pode parecer muito complicado. Quem quer entrar no mundo das empresas precisa, além de ter um excelente motivo, planejar-se. Mas não é só isso. Dependendo de onde o futuro empreendedor pretende abrir sua empresa, toda a parte burocrática pode demorar mais, ou menos. Florianópolis, por exemplo, tem o menor tempo de abertura de empresas entre as capitais brasileiras: cerca de cinco horas. É o que aponta o relatório, relativo ao segundo quadrimestre de 2020, do Mapa de Empresas do Brasil, disponibilizado pelo Governo Federal, que contém indicadores referentes ao quantitativo de empresas registradas no país e ao tempo médio necessário para a abertura de empresas.


A capital catarinense é seguida por Goiânia, com um tempo médio de 20 horas para a abertura de uma empresa; e por Brasília, com um dia e duas horas. Em quarto e quinto lugares, na lista das capitais brasileiras onde é mais rápido abrir uma empresa, vem, respectivamente, Cuiabá e Aracaju. No outro extremo, Salvador teve o desempenho mais baixo entre as capitais, com tempo de nove dias e 17 horas, em média, para abrir um novo negócio.



O avanço foi atribuído a uma série de medidas implementadas pelo Governo Federal, tendo em vista a simplificação e desburocratização do processo, como o registro automático do Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), aprovado pela Lei da Liberdade Econômica.

O mapa revelou, ainda, que no segundo quadrimestre de 2020 foram abertas 1.114.233 empresas, um aumento de 6% em relação ao primeiro quadrimestre deste ano e alta de 2% quando comparado ao segundo quadrimestre de 2019.


Já o número de empresas fechadas no segundo quadrimestre, 331.569, caiu 6,6% na comparação com os primeiros quatro meses de 2020. Em relação ao mesmo período no ano anterior, o recuo foi de 17,1%. Os resultados revelam um saldo positivo de 782.664 empresas abertas no país, com um número total de 19.289.824 em atividade.


SISTEMA CATARINENSE INTEGRADO

Apesar de Florianópolis ter atingido o melhor desempenho entre as capitais, a média de Santa Catarina colocou o estado na lista dos que mais demoram para abrir uma empresa – em 26º lugar – com quatro dias e uma hora. Por isso, a Junta Comercial de Santa Catarina (Jucesc), vinculada à Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável, tem trabalhado para integrar ao sistema os 290 municípios catarinenses, tornando todo o processo 100% digital.


A ideia é que outros municípios catarinenses sigam o exemplo da capital, onde o programa Floripa Simples possibilita ao cidadão interessado em empreender, na categoria baixo risco, a realizar todo o processo de abertura de empresa de forma on-line. O programa permite a consulta de viabilidade até a liberação do alvará de licença, seja para empreendimento físico ou digital.


O presidente da Jucesc, Gilson Lucas Bugs, detalha que o tempo para uma empresa começar a funcionar em Florianópolis, dependendo do tipo de negócio, antes poderia demorar até 75 dias. “A Jucesc tem buscado sempre o caminho da simplificação e desburocratização dos registros mercantis. O sistema 100% digital faz parte deste esforço em oferecer aos empreendedores uma ferramenta ágil, que possibilite, também, a integração com todos os órgãos necessários”, sublinha o presidente.


A meta da Jucesc é integrar os 295 municípios até o final do ano. No Sul do estado, em Tubarão, cidade com cerca de 100 mil habitantes, considerada um polo ainda a ser muito explorado, a expectativa é grande.


“Antes, abrir uma empresa podia se tornar um verdadeiro pesadelo para um empreendedor, de tanta burocracia e tempo que demorava. Muitas vezes, até semanas, e estamos falando de um passado não muito distante. Hoje, em virtude da desburocratização e do uso da tecnologia, o processo é bem mais rápido. No entanto, ainda há muito a melhorar”, destaca o presidente do Sindicato dos Contabilistas de Tubarão e Região (Sindicont), Lecir dos Passos Ghisi.


“Os empreendedores precisam dedicar seus esforços para realizar um plano de negócios. Só com ele será possível estruturar a empresa para que ela tenha uma vida longa.”

Lecir também ressalta que, de acordo com estatísticas do Sebrae, metade das empresas ‘quebram’ antes dos cinco anos de vida. Ter um plano de negócios é essencial, mas o educador financeiro Leandro Benincá alerta: “O mercado é feito de variáveis, não existe receita 100% infalível, é risco, é flutuação, pode dar certo ou errado. Fazer um pouquinho por dia, por bastante tempo, é a melhor recomendação”, finaliza.

Foto: Freepik.com

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