Características da eleição 2020


Foto: Ricardo Beppler

Por Laércio Menegaz


Eleição de porta em porta e de tela em tela: existe a eleição presencial. Mesmo com a pandemia, as pessoas recebem em casa: 90% da população, segundo pesquisas, recebe o candidato. E, junto com o contato pessoal, a utilização das ferramentas como Facebook, Instagram e WhatsApp (tela em tela).


Eleição do candidato preparado: em 2018, era o momento do candidato novo, antissistema, antipolítico. Eleição por onda. Agora, não.


Eleição digital: importantíssima e sem comício. Pequenas reuniões.


Eleição da sutileza: o candidato precisa interessar-se pelo eleitor, saber como ele está.


Eleição de alto índice de abstenção/ nulo e branco na história do país: primeiro, pelo desgastante modelo político do Brasil, que é um convite à corrupção. O povo está cansado de eleições a cada dois anos. E, segundo, pela questão da pandemia de Coronavírus. Por R$ 8, o eleitor pode se isentar do exercício da democracia e ficar em casa.


APRENDIZADOS

Faltam poucos dias para a abertura das urnas no Brasil e, com isso, carregamos algumas certezas: na eleição e na vida.


PRIMEIRA: todos vamos morrer um dia.


SEGUNDA: pré-campanha é tudo mesmo. Quem começou antes tem uma vantagem esmagadora.


TERCEIRA: eleição municipal só tem dois resultados: muda ou continua. ‘Muda’ com os candidatos de oposição e ‘continua’ com os atuais prefeitos ou candidatos do governo. E os prefeitos que forem à reeleição, em sua maioria, sairão vitoriosos nas urnas. A postura e a atitude dos atuais executivos durante a pandemia influenciarão nesta eleição.


QUARTA: as redes sociais/ Whats- App realmente FAZEM TOTAL DIFERENÇA. Quem usa com estratégia e inteligência, além de antecipar-se aos concorrentes, já larga na frente.

De tudo que estou vivenciando nas campanhas em que atuo como consultor, terei experiências fantásticas para dividir com vocês no final de tudo isso. Aguardem!


Foto: Fábio Pozzebom - Agência Brasil

INOVAÇÃO PARA CONQUISTAR O VOTO DO ELEITOR

Vivemos a eleição mais digital de todos os tempos e, também, a mais apagada nas ruas. No pleito de 2016, assim como na disputa presidencial (2018), já foi possível observar a força das redes sociais para aproximar candidato e eleitor. Inclusive, um importante meio para apresentar seus propósitos. Com a pandemia e a dificuldade de executar o tradicional corpo a corpo, a internet, sem dúvida, será decisiva na corrida eleitoral. Mas para posicionar-se no maior meio de comunicação com o eleitor, o candidato teve que inovar e, acima de tudo, munir-se de um bom estrategista de campanha.


Além das visitas pessoais, o celular tem sido o protagonista. Vivemos, desde 27 de setembro, uma campanha sem cara de campanha. O digital tem complementado ou suprido as ações presenciais. O WhatsApp tem oferecido uma capacidade de mobilização gigante. Por meio de listas de transmissão ou grupos, é possível enviar informações importantes nos formatos texto, áudio, foto ou vídeo de forma segmentada e orgânica.


Temos acompanhado que a abrangência no Facebook é bastante relevante e o recurso “impulsionamento” faz com que as entregas de conteúdo e informações publicadas cheguem mais longe, de forma direcionada e fragmentada. No Instagram, o ideal é publicar no Feed aquilo que você pensa para a cidade, e nos Stories, o dia a dia do candidato. Nesta rede social, vídeos no IGTV estão garantindo abordagens mais aprofundadas. No digital, para ganhar a atenção do público, é necessário que o assunto traga informações que sejam de interesse do eleitor. Os recursos gráficos são secundários.


NO RADAR DO ELEITOR

O passado e o presente do candidato são importantes. Mas o fundamental é o seu apontamento para o futuro. Em uma eleição, o histórico e a credibilidade dele são essenciais. O eleitor vota por gratidão, porém muito mais por expectativa. Leva vantagem e ganhará a eleição quem fala do amanhã, de propostas, apontando de forma assertiva: ‘o que’ será transformado e ‘quem’ será beneficiado. A clareza de posicionamento é indispensável.


  • PASSADO: biografia e histórico, credibilidade.

  • PRESENTE: qualidade, envolvimento e simpatia do candidato.

  • FUTURO: propostas (transformar x beneficiar).


AS TRÊS FASES DE UMA CAMPANHA

Em uma campanha de 45 dias, a estratégia do candidato deve seguir três etapas.


PRIMEIRA: me conheça (sou candidato). Isso deve ocorrer nos 15 primeiros dias de campanha. Aqui, o candidato deve se apresentar e dizer por que está na disputa eleitoral. O ditado ‘não queimar na largada’, pular etapas, precisa ser ponderado. Não é o momento de frisar o número com ênfase. Conte sua história, desperte a curiosidade do eleitor para entrar dentro da sua campanha.


SEGUNDA: confie em mim (seja comparado). Direcionamento para os 15 dias do meio. Qual o tema do candidato? O que o diferencia dos demais? Aqui, o recomendado é falar das propostas, o que ele pensa para a cidade, seus sonhos e projetos.


TERCEIRA: vote em mim (seja lembrado e votado). Reta final do pleito, últimos 15 dias. Aqui, tratamos como mobilização: nome, número, jingle. Tudo que mire na fixação de elementos para a conquista do voto.


Aqui, tratamos como mobilização: nome, número, jingle. Tudo que mire na fixação de elementos para a conquista do voto.


Foto: Freepik.com

EXERÇA SEU DIREITO

Tenho repetido inúmeras vezes sobre a importância do voto, que é a expressão máxima da democracia e, também, a forma pela qual todos os cidadãos são iguais perante a sociedade. O voto da mulher tem o mesmo peso do homem, do negro ao branco, do jovem ao idoso. Todos são iguais. As eleições deveriam ser encaradas com maior seriedade. Voto nulo, branco ou abstenção não ajudam em nada. Pesquise um pouco sobre o seu candidato e faça sua escolha!

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