Como ajudar as crianças a lidar com a pandemia


Foto: Junior Krás

A pandemia da Covid-19 tem sido entediante para todos nós e isso inclui as crianças. É comum pensar que a mudança foi positiva para elas — já que muitos pais passaram a ficar em casa o tempo todo — mas, especialistas alertam que a situação pode não ser exatamente essa. Muitas crianças tiveram mudanças bruscas nas relações sociais e passaram a sentir falta dos amigos e colegas de escola, por exemplo. É o que ocorreu com os filhos da Delegada Regional de Tubarão, Vivian Garcia Selig, de oito e cinco anos de idade. “Meus filhos estão sentindo muita falta da rotina fora de casa. Mas, apesar disso, compreendem, dentro da percepção deles, as proibições expostas em face da nossa segurança e saúde. As crianças são a mais clara demonstração de resiliência e auto adaptabilidade”, afirma.


No processo de adaptação à nova realidade, Vivian precisou, ao lado da família, adaptar a rotina, redistribuindo as tarefas para que pudessem dar conta de todas as demandas de casa, da escola, trabalho e o bem-estar de todos. “Vivo dias mais otimistas e outros menos, beirando até ao pessimismo. Porém, sem dúvida, isso é natural, por nossa peculiar inconstância humana. Mas, acredito que estejamos fazendo o nosso melhor”, assegura.


Depois de meses de isolamento é nítido, para as famílias, os efeitos que a quarentena está causando para a saúde das crianças. Apesar de se esforçarem, elas são menos capazes de compreender as nuances de tudo o que está acontecendo no mundo agora. Além disso, as crianças têm um radar muito aguçado quando se trata de perceber as emoções dos adultos que estão convivendo com elas.


“Algumas crianças têm mostrado necessidade de estarem com os pais o tempo todo, desenvolvendo uma dependência excessiva. Outras aparecem com dificuldades para dormir, alteração no padrão alimentar, além de medo e irritação excessiva. Mas, até mesmo aquelas crianças que não expressaram nenhum desses sintomas, estão cansadas e com muita saudade da escola e dos amigos. É preciso que os pais saibam o que fazer nesse momento”, explica a psicóloga infantil e educadora parental, Luana Ferraz Zanatta.


Carinho

Se existe algo que aumenta a qualidade de qualquer tempo com as crianças é o afeto. O carinho proporciona condições de um melhor desenvolvimento infantil, diminui os hormônios do estresse e aumenta os hormônios do bem-estar. Esses momentos geram um significado para a criança porque fazem ela se sentir importante e amada, dando a ela a certeza do amor incondicional. “Várias pesquisas científicas comprovam que o carinho molda o cérebro da criança, o que leva à prevenção da ansiedade e outros transtornos que às vezes só aparecem mais tarde, na vida adulta”, defende a psicóloga.


Brincadeiras

Brincar e dar atenção para as crianças é mais que essencial durante esse período. A orientação para os pais é de fazer brincadeiras simples, como sentar no chão e fazer desenhos com as crianças, sempre incluindo o lúdico.


Rotina

Quando os pais têm uma rotina bem estruturada, é mais fácil encontrar tempo para as brincadeiras e estar com os filhos. A rotina gera segurança para a criança. “As famílias podem convidar a criança para montar juntos a rotina dela. Dessa forma ela vai se sentir muito mais motivada para segui-la. Mas, tão importante quanto essas dicas, está a paciência dos pais com eles mesmos. Saber que momentos de estresse, confusão, irritação, vão acontecer. O que vai fazer a diferença é a maneira como eles vão reagir a essa situação”, finaliza a psicóloga.

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