Coronavírus ou ansiedade? Sintomas físicos podem confundir


Foto: Engin Akyurt

Durante os últimos meses, muitos estudiosos têm tentado imaginar cenários de como a pandemia de Covid-19 vai transformar a política, o trabalho, as viagens, a educação e muitas outras áreas. Quando tudo isso acabar - porque isso vai acabar -, em que seremos diferentes?


O isolamento social gerou uma mudança drástica na dinâmica da sociedade e acabou gerando ansiedade em muitas pessoas, a partir de sentimentos como medo de morrer, de perder entes queridos, além de solidão. Francisco Neto, estudante de audiovisual, 26 anos, já passava por tratamentos de ansiedade antes da pandemia, mas acabou tendo que trocar a abordagem devido ao aumento dos sintomas durante o período. “Em outro cenário, eu com certeza estaria melhor. Mas para mim, foi impossível não ficar ainda mais ansioso durante a pandemia. Ficar parado e quieto em casa, não é comigo. Cheguei a achar que estava com a Covid-19, de tantas dores no corpo e cansaço. No fim, era só a ansiedade. Tive que procurar os profissionais que já me acompanhavam”, conta.


Dados da Organização Mundial da saúde, apontam que o Brasil tem o maior número de pessoas ansiosas do mundo, mais de 9% da população (18,5 milhões de brasileiros). Durante a pandemia, segundo informações do Instituto Ipso, o Brasil passou a aparecer no topo da lista de 16 países em que a população mais sofre com problemas de ansiedade, com 41% das pessoas enfrentando sintomas como tremores, cansaço fácil, falta de ar, suor excessivo e mãos frias.


A psicóloga e psicoterapeuta Viviane Pessi Feldens, explica que durante uma crise de ansiedade, é comum sentir angústia, medo, preocupação e inquietação. Isso, porque o corpo descarrega uma quantidade de noradrenalina e adrenalina fora do normal. “Cada pessoa tem seus próprios gatilhos emocionais e diferentes formas de lidar com eles. Algumas dicas para minimizar a ansiedade são: diminuir seu ritmo, praticar atividades físicas, técnicas de respiração e relaxamentos musculares, meditação, psicoterapia e tratamento medicamentoso quando avaliado e receitado por psiquiatra”, ressalta.


A profissional, que é mestre em educação e doutora em psicologia, alerta que é preciso ficar atento aos sintomas. "O indicado é primeiramente se descartar a hipótese de ser Covid-19 mesmo. Após isso, parte-se para outras possibilidades como ansiedade. Alguns sintomas da ansiedade como falta de ar, sensação de sufocação, tonturas, dores musculares e dores de cabeça podem ser confundidos, mas precisam mais sintomas para poder fazer um diagnóstico diferencial”, enfatiza.


É importante manter no momento, mesmo que virtualmente, contato com pessoas que pertencem ao nosso ciclo social. Reservar uma parte do dia para fazer uma vídeochamada e conversar sobre sentimentos, por exemplo, pode ser uma ótima alternativa de autocuidado. Ainda dentro do contexto de qualidade de vida, as atividades físicas são essenciais, principalmente as práticas de ioga, que envolvem fortalecimento e respiração. Afinal, de nada serve o combate ao coronavírus, se tivermos um aumento na incidência de outras doenças na área psiquiátrica.


"O sistema imunológico é modulado pelos processos químicos do estresse e da ansiedade, envolvendo ações químicas (liberação elevada de hormônios como por exemplo o cortisol) tanto no sistema endócrino, como no sistema nervoso. Isso pode levar a que se gere um estado de inflamação crônico que compromete a função do sistema imunitário, tornando-o menos capaz de combater os agentes externos como os vírus ou bactérias”, finaliza a psicóloga e psicoterapeuta.

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