Divas ou divinas?

Por Mareliza Cupolilo

Foto: Arquivo Pessoal Mareliza Cupolilo

Ísis e Gaia tinham origens diferentes, mas eram amigas desde a mais tenra idade. Viviam na mesma rua e eram tão conectadas que uma sempre adivinhava o pensamento da outra. Nutriam imensa admiração e profundo respeito pelas diferenças e particularidades de cada uma. Ultimamente, entretanto, passavam pouco tempo juntas, já que os afazeres cotidianos lhes sorviam a maior parte das horas.


Quando findavam seus extenuantes dias, se recolhiam, exaustas, nos seus quartos, com seus celulares empunhados e os olhos vidrados naquelas pequeninas telas, nas quais os dedos deslizavam de baixo para cima, e, autônoma e aleatoriamente, clicavam em pequenos corações de pedra, que, num passe de mágica, se tornavam rubros, quase vivos.


Numa noite de lua cheia, Ísis adormeceu antes mesmo de ser tragada por aquela rotineira realidade paralela-digital. Estava tão esgotada que, sem qualquer resistência, se entregou ao mais profundo sono. Ao acordar, olhou para o relógio e se assustou ao perceber que se atrasaria para aquele esperado compromisso. Havia chegado o dia de batizar a sua tão sonhada afilhada Febe, filha de Gaia, sua amiga-irmã.


O batizado aconteceria às 9h, na paróquia local, a poucos minutos de sua casa. Ísis saltou da cama, acendeu um incenso e entrou para o banho. Depois de pronta, correu para a igreja, bem a tempo de não causar nenhum atraso. Foi uma celebração belíssima! Todos ali reunidos e imbuídos do mesmo desejo: abençoar e bendizer Febe, para que aquela pequenina crescesse ‘em sabedoria, em estatura e em graça’.


Ísis prometeu à Gaia estar sempre presente na vida de sua afilhada, acompanhando-a e instruindo-a, para que a preciosa menina crescesse forte, corajosa e justa.


As amigas – e agora comadres – se abraçaram longamente. Elas sabiam que, juntas, eram mais potentes e que, independentemente de qualquer distância e das turbulências que vivessem, ambas seriam sempre seus maiores porto-seguros e fontes das mais espontâneas gargalhadas.


Brindavam entusiasmadamente aquela feliz ocasião quando o celular de Ísis tocou. E tocou, tocou, tocou.


Foi, então, que Ísis despertou e percebeu que tudo não passara de um sonho.


Ainda embriagada de sono, pegou seu celular e se assustou ao ver no identificador de chamadas que Gaia estava lhe telefonando aquela hora da madrugada. Prontamente, atendeu à ligação:

- Alô, Gaia! Tudo bem com você?


Gaia respondeu:

- Amiga, quero compartilhar uma incrível boa-nova! Eu vou ser mãe. Estou esperando uma menina! Você aceita ser a madrinha?


Muito comovida, Ísis respondeu que sim e perguntou:

- Posso adivinhar o nome dela?


POR DENTRO DO TEXTO

Deusas mulheres ou Mulheres deusas?

Todas as mulheres carregam em si a potência das deusas.

Ísis foi uma das principais deusas do Egito Antigo e possuía o poder da cura. Sua influência ultrapassou barreiras e os milênios.


Gaia, da mitologia grega, é a deusa que representa a mãe-terra. De Gaia nasceram o mar, as montanhas e o céu. Foi essa poderosa deusa que gerou os 12 titãs.


Febe é uma titânide (o feminino de titã), filha de Gaia. Uma deusa avassaladoramente linda e brilhante, ela é a primeira deusa da lua na Grécia Antiga.

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