Fracasso para mim é ter peso na consciência por ter feito algo de errado

Por Vanessa Mendes

Fotos: Davi Nascimento

Jovem, virginiana, uma mulher conservadora, inteligente, discreta, despretensiosa e simples. Caroline De Toni é deputada federal por Santa Catarina, advogada por profissão, mestre em Direito Público e militante de direita há mais de dez anos. Nossa equipe teve o privilégio de conversar com Caroline e perceber que a beleza física é ainda mais acentuada por dentro. Muitos atributos despertam a curiosidade, e o que podemos antecipar é que ela é uma mulher forte, que prima pelos seus valores e que sonha com um Brasil livre das ideias revolucionárias. Segundo Caroline, para que tenhamos mais liberdade precisamos diminuir a influência do Estado nas nossas vidas. Entre os desafios está a defesa aos brasileiros de que é possível ser político e ser honesto ao mesmo tempo.


Quem é a Caroline de Toni?

Sou uma mulher comum, com seus defeitos e qualidades. Sou idealista, mas tenho os pés no chão e respeito as limitações da ordem natural. Considero que a vida, como dom dado por Deus, detém um mistério insoldável à inteligência humana. Ao mesmo tempo, o homem tem se fechado a esse mistério por estar perdido em meio às ideologias revolucionárias, sendo urgente resgatarmos esse caminho de coração e razão abertos ao infinito. Caroline, como pessoa, seja por meio da política, ou fora dela, considera que cada um de nós deve encontrar a sua vocação e dar aquilo que tem de melhor e único no grande concerto da vida.


Você se diz conservadora de assuntos sociais e liberal em econômicos. Por quê?

O conservadorismo abrange o liberalismo econômico, porque, acrescendo ao que falei na resposta anterior, o conservador acredita que apenas num clima de liberdade, num ambiente de livre iniciativa é que o ser humano pode crescer economicamente. O liberalismo econômico parte do princípio de que o Estado não gera riqueza e prosperidade, apenas se mantém dos impostos, que são taxações à riqueza gerada pelos indivíduos. Daí a necessidade de se gerar um clima de liberdade econômica, para que os indivíduos produzam a riqueza, por meio de bens de consumo e inovações que só se geram num clima de livre iniciativa, fazendo com que tais bens circulem livremente com valor agregado, gerando riqueza e prosperidade à sociedade. Daí a necessidade também de se limitar o poder estatal, para que ele não iniba esse ciclo natural.


Quais as suas maiores conquistas frente à câmara federal?

Desde que entrei no parlamento, considero uma conquista a eleição como vice-presidente da Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania da Câmara, na qual consegui acompanhar os trabalhos, a análise da constitucionalidade das matérias, aprender a parte regimental e também presidir sessões da comissão, considerada a mais importante da Casa. Ademais, relatei um projeto que foi aprovado na CCJC e no Plenário, que foi a Lei nº 13.968/2019, que criminalizou o induzimento à mutilação e ao suicídio de crianças e jovens, problema comum com a internet. Relatei quase uma centena de projetos no primeiro ano de mandato. Também apresentei uma Proposta de Emenda Constitucional para limitar as decisões dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que muitas vezes invadem a competência dos demais poderes da República.


Estamos em pleno século XXI, e ser mulher, em princípio, deveria ser algo completamente natural e confortável. Mas nem sempre é assim. Nem aqui, nem noutras partes do mundo, onde ainda há tanto por fazer em termos de igualdade de gênero. O que você tem feito para mudar esse contexto? Ser mulher, e não homem, a ajudou ou a prejudicou quando você quis construir uma carreira ou materializar um projeto?

A vida humana não é algo confortável, o sofrimento e a dificuldade fazem parte dela, seja do homem, seja da mulher. Como mulher, todas as dificuldades que enfrentei na vida, seja na família, profissão ou política, entendo que foram as dificuldades naturais pelas quais todos passam; basta estar vivo para ter que lidar com situações hostis, não agradáveis, desafios “n”, enfim. Sempre me dei ao respeito e sempre fui respeitada. Se, eventualmente, alguém se passa, sei me defender e colocar a pessoa no seu lugar.


O que a deixa inquieta?

Saber se estou cumprindo bem os meus deveres e se estou conseguindo realizar a minha vocação. A busca do entendimento do sofrimento humano e as formas de minimizá-lo.


Quem são as mulheres da sua vida e o que elas lhe ensinaram?

Minha mãe me ensinou a importância do trabalho e da honestidade.


Você é uma mulher jovem e tem se projetado politicamente para fazer a diferença. Qual legado deseja deixar para continuar influenciando as pessoas?

O legado mais básico de todos: de que é possível ser político e ser honesto ao mesmo tempo.


Você acredita no caminho que quer seguir? Quem você quer se tornar?

Sim, acredito, mas os desafios são enormes. Para que tenhamos mais liberdade, precisamos diminuir a influência do Estado nas nossas vidas. Então, o maior desafio é a mudança de mentalidade. Para isso, é preciso que todo brasileiro tenha consciência de que quanto mais Estado, mais limitações à nossa liberdade e menos dinheiro no nosso bolso. E quando falamos em mais Estado, são mais leis, mais órgãos, mais proteção. Quanto mais exigimos do Estado, menos liberdade teremos. Eis o desafio. Quero me tornar uma pessoa que propaga e defende essas boas ideias e faz isso acontecer no parlamento. Mas é difícil, precisamos ter maioria, por isso quanto mais gente se conscientizar disso, melhor.


A cientista social Brené Brown, da universidade de Houston, no Texas, transformou a vergonha, o medo e a vulnerabilidade em algo legal. Em 2010, ela foi convidada para apresentar um Ted Talk, no qual escolheu falar sobre “o poder da vulnerabilidade”. Você se considera corajosa para liderar?

Só pode