Heroína, protagonista da própria história

Por Edivelton da Rosa

Fotos: Davi Nascimento

Jussara Neto tem na ‘Jornada do herói’, de Joseph Campbell, não apenas uma inspiração de vida, mas também uma vivência. Engenheira Sanitária e Ambiental formada e com pós-graduação em Engenharia de Segurança do Trabalho e em Gestão de Projetos, ela estava atuando na área quando perdeu, de forma inesperada, o irmão mais velho em um acidente fatal. Entrou em uma época de muita reflexão e introspecção e, posteriormente, decidiu se dedicar, também, a um outro ramo: o treinamento comportamental, atuando como coaching de inteligência emocional.


No auge do novo empreendimento, Jussara e o marido, Márcio, foram vítimas de um golpe nos negócios, a partir daqueles que acreditaram que eram seus aliados. Como uma verdadeira heroína, Jussara precisou se reerguer. Decidida a voltar a atuar em sua área de formação, por meio de um contato no Linkedin conseguiu uma vaga na Companhia de Docas do Rio de Janeiro.


Hoje, atua no local como gerente de Riscos de Qualidade, Segurança, Meio Ambiente e Saúde. Para a Vision Business, Jussara conta sobre a experiência em gestão de projetos e gestão de crise, desenvolvendo estratégias corretivas e preventivas durante as tratativas contra a Covid-19, além de sua atuação expressiva como treinadora comportamental.


Por que escolheu essa área da engenharia sanitária e ambiental? Você sempre foi uma pessoa preocupada com saúde, segurança e meio ambiente?

Eu escolhi essa área porque sempre gostei desse contato com a natureza. Desde que nasci, sempre tive ligação com a terra, com olhar de contemplação e admiração. Nasci no Norte de Minas Gerais, na região do Vale do Jequitinhonha, muito seca, onde passa o Rio São Francisco. E eu cresci lá, na roça. Adoro ir para lá até hoje, para recarregar as minhas energias, porque a minha família ainda mora naquela região. Ter esse contato com o meio ambiente, desde sempre, só me fez ter certeza de que eu estava fazendo a escolha certa.


Durante a pandemia de Covid-19, trabalhos como o seu estão sendo importantíssimos para garantir a segurança e a saúde dos trabalhadores, principalmente desenvolvendo estratégias preventivas. Como está sendo este desafio?

Tem sido, realmente, um grande desafio, e eu me sinto protagonista desta história. É uma honra ter saúde e disposição para estar aqui neste momento enfrentando a pandemia e podendo ser útil a partir do meu trabalho. Quando eu recebi esta oportunidade – a de trabalhar na Companhia de Docas do Rio de Janeiro –, as estradas já estavam fechadas, e a cidade, em lockdown. Mas eu não desisti. Como ônibus e avião não estavam disponíveis, liguei para todos os departamentos de polícia rodoviária para saber se eu poderia ir de carro, e se seria parada caso fosse. Confirmei que conseguiria chegar ao Rio, comuniquei meus superiores e fui. Quase que imediatamente comecei a trabalhar.


Segundo uma consultoria especializada em recrutamento, 90% dos casos de demissão acontecem devido à falta de inteligência emocional e à má conduta no ambiente de trabalho. As pessoas deveriam valorizar o treinamento comportamental da mesma forma que valorizam a formação técnica?

Com certeza. Eu acho que o maior equívoco da sociedade, ou das pessoas que não têm conhecimento sobre o que é uma programação neurolinguística – no conceito científico da coisa, sem envolver questões espirituais –, é que a inteligência emocional se encaixa em todas as áreas da nossa vida. O bom profissional, lá na linha de frente, só consegue ser um bom técnico se ele é uma excelente pessoa. Isso envolve ser um bom filho, amigo e ter consciência de que cuidar da saúde do corpo, da mente e do espírito é fundamental.


Nas redes sociais, você compartilhou a seguinte frase: ‘A vida não começa aos 40, nem aos 50. Ela começa quando a gente deixa de ser besta’. O que você quis dizer com isso?

Eu achei esta frase superinteressante porque eu me vejo neste lugar, o de enxergar que a gente pode ser o que a gente quiser. Um grande exemplo é a Anitta. Uma empresária incrível aos 27 anos. Só chegou neste resultado porque ela foi atrás do que queria e desejava quando ainda era mais nova. Nós precisamos esperar chegar aos 40 anos para ter sucesso? Não. Sem falar que o sucesso é muito relativo, já que para cada um de nós tem um significado. Mas o fato é este: não precisamos esperar nada para sermos felizes.


Dominar o medo, a raiva, a tristeza e a alegria é a chave para o sucesso pessoal e profissional?

Faz parte, sim. A inteligência emocional possibilita colocar sua vida em equilíbrio para poder estar 100% em todas as áreas. O problema é que nós temos uma forma de viver, que é dual: bom ou mau, quente ou frio etc. Não temos um caminho do meio. Estamos sempre condicionados a viver uma realidade de julgamentos e não de respeito por si ou pelo outro. Isso não é culpa de ninguém, é o formato de sociedade que a gente vive. Por isso, buscar o autoconhecimento é tão importante. Só que isso envolve um determinado investimento financeiro. Tem gente que prefere não pagar por um curso que vai melhorar muito a própria vida porque tem vontade de ir para a Disney, por exemplo, porque é um sonho de infância. Não julgo, mas é uma escolha que essa pessoa está fazendo.


Você gosta de viajar? Para qual lugar mais gostou de ir?

Eu amo viajar! Meus destinos prediletos foram: Mallhorca, Espanha; Marcelha, França; Roma, Itália; Tokyo, Japão e Buenos Aires, Argentina.


Qual a principal contribuição (legado) que você espera deixar?

Desejo tocar a vida das pessoas que eu conheço, com respeito e amorosidade. Minha missão de vida é compartilhar a felicidade com o máximo de gente que eu puder.



De Neil Hamilton Negrelli Jr. ‘Fatos são fatos. Eles não são alegres ou tristes. A representação interna e os significados que damos a eles é que podem ser alegres ou tristes. Seja o comandante das suas emoções’. O que esta frase representa?

Ela quer dizer que nós podemos interpretar e dar um significado, positivo ou negativo, aos fatos que ocorrem em nossas vidas. Na minha história, por exemplo, aconteceu o caso do golpe que sofremos nos negócios. Naquela situação, em vez de brigar por aquilo, o significado que nós demos para o momento foi o aprendido na jornada do herói. Pensamos: ‘Bom, esse não é mais o nosso caminho. Vamos atender a outro chamado e seguir em frente de outra forma’.


Você também é voluntária na promoção de Atividades Socioeducativas em prol da Paz, Cultura e Educação baseadas na humanização e preservação do meio ambiente. Como é realizado este trabalho?

Eu me converti ao budismo aos 16 anos, então eu medito, diariamente, desde aquela época. Eu tô sempre me policiando e tentando me tornar um ser humano melhor todos os dias. Então, o voluntariado já faz parte de mim. O objetivo dos nossos trabalhos é melhorar a sociedade a partir de várias ações. Eu sou uma das líderes nesse trabalho e, para isso, passamos por vários treinamentos para sermos esse ponto de coragem e força, já que precisamos transmitir coisas boas para as pessoas. Enquanto líder, meu papel é incentivar aqueles que sofrem por alguma razão.


Que palavra te define?

Resiliência


O que você faz para cuidar de você?

Não abro mão de uma boa massagem e acupuntura.



Jussara em poucas palavras

Evolução

Constante, viver respeitando a minha essência e verdade.


Inteligência

Olhar e respeitar o próximo como um ser humano que tem defeitos e virtudes.


Um sinal de fraqueza

Zona de conforto.


Um sinal de força

Humildade.


O que você faz para cuidar de você?

Não abro mão de uma boa massagem e acupuntura.


Jussara Neto

Uma mulher que levou um tempo para entender que a vida não é sobre quem chega mais rápido, mas, sim, sobre saborear o aprendizado que se apresenta a cada momento. E que está tudo bem não saber tudo o tempo todo e não ter certeza o tempo todo! Hoje, com maturidade, a Jussara respeita seus limites e acredita ainda mais nos seus sonhos.

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