Mulher. Brasileira. Muçulmana.

Por Edivelton da Rosa


Fotos: Davi Nascimento

‘Uma pessoa que sempre influenciou outras’. A muçulmana Mariam Chami, de 30 anos, se descreve assim, mas nunca imaginou que se tornaria uma das influencers mais respeitadas da internet. No ano passado, chegou a ser indicada ao prêmio Influency.me, que é considerado o Oscar dos influenciadores digitais. O que começou ao acaso, com apenas uma jovem falando para os amigos sobre a própria rotina, acabou alcançando milhares de pessoas. Hoje, só no Instagram, Mariam acumula quase 400 mil seguidores, além de milhões de visualizações no TikTok.


Filha de pai libanês muçulmano e mãe brasileira convertida ao islamismo há mais de 30 anos, a jovem, que tem discurso de igualdade e tolerância, apareceu na 4ª edição da Vision Business contando parte de sua história. Mariam volta, agora, no mês das mulheres, como capa da nossa publicação, a partir das lentes do fotógrafo Davi Nascimento. Em um bate-papo exclusivo, ela fala sobre como usa seu espaço nas redes sociais para compartilhar como é a rotina de uma muçulmana vivendo no Sul do país, além de quebrar preconceitos e questionamentos xenofóbicos.


De sorriso leve, carismática, acolhedora e com uma luz que multiplica a beleza interna, realçando naturalmente a mulher linda que é, Mariam conquistou a nossa admiração em nível máximo e, inspirados por ela, queremos presentear todas as leitoras mulheres com a história desta memorável brasileira. Encante-se também!


Enquanto muitas influencers falam sobre beleza e nutrição, seus assuntos englobam intolerância religiosa e feminismo. Por que a escolha destes temas, que são tão polêmicos?

Claro que eu foco nesses assuntos também, mas eu diria que meu estilo é mais puxado para o lifestyle. Esse assunto de intolerância surgiu porque as muçulmanas, de forma geral, sofrem muito com isso, e acaba que outras pessoas se identificam também. E muita gente me questiona, na rua, ou em qualquer lugar que eu estiver, sobre o Islã. Mas este tema nem deveria ser polêmico, não é? Polêmicas deveriam ser as pessoas que não respeitam.


Você se considera uma pessoa tímida?

Sim, sou muito tímida. Só que quando eu conheço a pessoa acabo me soltando mais. No Instagram, não sou tímida porque meu crescimento foi muito gradual. Comecei com mil seguidores e foi crescendo... e eu não fui percebendo direito. Mas se um dia chegar e me colocar em um lugar com 400 mil pessoas, óbvio que eu vou ficar morrendo de vergonha.


Tanto nas redes sociais quanto nos seus vídeos você costuma falar sobre tudo sempre de forma bem-humorada. Também já foi criticada por isso?

Eu sou uma pessoa que faz muita brincadeira e, às vezes, até em momentos em que não se pode brincar (risos). Eu sou assim. Acredito até que preciso maneirar um pouco. Claro que já fui criticada por isso, por pessoas que são mais conservadoras e não entendem que é possível conseguir atingir mais gente sendo extrovertido. Eu sempre dou o exemplo dos professores de matemática. Se tem um que é carrasco, bravo, e um que faz brincadeiras, ou músicas com os conteúdos, de quem a gente vai aprender mais? Com certeza, com o professor divertido. Então, por isso que sempre tento trazer meu conteúdo de forma bem-humorada, para atingir mais pessoas e para que elas consigam absorver ainda mais.



A sua religião é vista, por muitos, como mais do que uma doutrina, é considerada um estilo de vida. Você acredita que é por isso que as pessoas têm tanta curiosidade pela sua rotina?

O islamismo é realmente um estilo de vida, porque envolve os modos de comer, beber, o que e como se vestir, como tratar seus pais, filhos, vizinho etc. Então, existe um código de conduta muito forte. Talvez por isso que gere tanta curiosidade nas pessoas.


Como o seu trabalho na internet é visto dentro da sua religião?

Acredito que eles já sabem da importância que tem o meu trabalho, de como estou desmistificando e educando as pessoas na internet. O meu conteúdo é muito rico e agrega muito para todo mundo, então só traz benefícios. Inclusive, eu tenho apoio de líderes religiosos para me auxiliar quando eu tenho alguma dúvida ou não sei sobre algum assunto. Estou sempre recorrendo a este recurso.


Você se incomoda quando as pessoas perguntam sobre o seu hijab (vestimenta majoritária das mulheres muçulmanas)? Ou quando perguntam se você não passa calor?

Acontece de as pessoas me perguntarem por que eu uso o hijab, por que eu uso em um lugar que não é comum o uso dele. A população não tem convivência com as pessoas que usam, então eu acredito que é natural. Assim como eu não vejo nada demais em me perguntarem se eu não sinto calor, por exemplo. O que me incomoda é a maneira como são feitas as perguntas ou comentários. Tem gente que chega e fala ‘Nossa! Deus me livre. Nunca que eu aguentaria’. Às vezes, as pessoas fazem até sem perceber, mas é muito chato. É a mesma coisa que eu chegar em uma mulher e dizer: ‘Nossa, como você consegue mostrar seu corpo todo e ficar pelada na praia?’. Eu nunca faria isso. As pessoas têm que ter bom senso ao falar.


Em breve você poderá conferir a entrevista completa. Adquira a nossa quinta edição.

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