NA CONTRAMÃO DA PANDEMIA, EMPRESAS SE REINVENTAM EM BUSCA DE CRESCIMENTO

As medidas para conter o avanço da pandemia fizeram com que o mundo mudasse. Em pouco mais de um ano, muitas pessoas e empresas tiveram que se reinventar e se adaptar à nova situação. De acordo com um estudo do Sebrae, mais de cinco milhões de empresas, em todo o Brasil, mudaram os processos neste período. Algumas delas encontraram oportunidades de crescimento e novos nichos de atuação.


Sediada em Tubarão, Santa Catarina, a empresa Brasil ao Cubo, por exemplo, teve a oportunidade de contribuir para o combate à propagação do vírus da Covid-19. Em cerca de 100 dias, em 2020, ela entregou cinco hospitais, em todo o país, criando novos leitos para a internação de pessoas com a doença. Neste ano, mais dois empreendimentos foram entregues pela Brasil ao Cubo, totalizando 450 novos leitos disponibilizados para a linha de frente no combate ao vírus. “Somos uma empresa de construções ágeis, e com isso é possível anteciparmos a inauguração das obras, garantindo a qualidade”, aponta o engenheiro civil e sócio Jonathan Degani.

Crédito: Brasil Ao Cubo

O foco de trabalho da Brasil ao Cubo era a construção industrial. Contudo, com a pandemia, percebeu-se a necessidade de executar, também, com o nicho hospitalar. No ano passado, a empresa foi desafiada pela Ambev para contribuir no combate à propagação da Covid-19, por meio da produção de álcool em gel.

Porém, os empresários foram além e se propuseram a fazer mais do que isso. Foi quando criaram o projeto para um hospital com mais de 100 leitos. “Isso ocorreu em uma quinta-feira, e na segunda apresentamos o projeto”, comenta o engenheiro. Com o apoio da Ambev e da Gerdau, a Brasil ao Cubo, em 2020, construiu o primeiro hospital, um anexo ao Municipal M’Boi Mirim, na periferia de São Paulo.


“Antecipamos em uma semana a inauguração. Quando fui visitar a obra, mais de 70 desses leitos já estavam ocupados. Com a ajuda da nossa tecnologia, essas pessoas tiveram leitos”, salienta Degani. Pelo menos 90% da obra desse hospital foi realizada dentro do parque fabril. Os módulos, então, foram transportados até o local da instalação, em São Paulo. A área total construída foi de 1350 metros quadra[1]dos, com capacidade para 100 leitos.


Hospitais Brasil afora

Além de construir hospitais na cidade de São Paulo, a empresa também entregou obras em Porto Alegre, São José dos Campos, Distrito Federal e Porto Velho. Em 2021, foram mais duas, sendo uma delas em Vale Santa Catarina, São Paulo. Nesta, eles construíram 40 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). “Este trabalho é ainda mais complexo, mas são legados que deixamos para o Sistema Único de Saúde (SUS). São obras permanentes que foram executadas”, explica o engenheiro. A tecnologia da industrialização da construção civil fez ser possível a construção dos hospitais em tempo recorde. Isso, porque atividades que são realizadas exclusivamente nos canteiros de obras são deslocadas para a fábrica. “A tecnologia já é utilizada em outros locais do mundo, mas o nosso diferencial é que trabalhamos com a flexibilidade na arquitetura, deixando cada módulo único, com o maior número de acabamentos possível saindo da fábrica”, comenta Degani.


Mais segurança aos trabalhadores

Criada em 2007 e atuando na fabricação e distribuição de chapas de policarbonato para o uso industrial e para a construção civil, a empresa Plásticos Laminados também teve que se adaptar. Desde março de 2020, em virtude da pandemia, novos produtos foram implantados no catálogo, o que oportunizou um crescimento de 60% na comparação com o ano anterior.

Segundo o diretor operacional da Plásticos Laminados, Arthur Regis Elias da Silva, com o início da pandemia a empresa passou a trabalhar, também, com o consumidor final. Com as placas de PET, um produto reciclável, iniciaram a produção de proteção de mesas e, até mesmo, de máscara face shield. “Não estávamos acostumados a atuar diretamente com o consumidor final. Mas foi muito bom ver o nosso produto sendo utilizado em diversas empresas. Muitos médicos nos pediram as máscaras para terem ainda mais proteção no trabalho”, comenta.

Silva explica que empresas de todo o Brasil buscaram esses produtos, principalmente para a maior segurança dos trabalhadores. “Vendemos muitas proteções também para salões de beleza. Na área de alimentação, colocamos divisórias nas mesas, para a segurança daqueles que fazem as refeições no trabalho”, explica. A produção de proteções de mesa e de máscaras face shield continuam contribuindo para o crescimento da Plásticos Laminados. Segundo o diretor operacional, 2021 também apresenta crescimento em comparação ao último ano e segue ao lado da linha principal da empresa, que é a fabricação e distribuição das chapas para uso industrial e construção civil.


Produção de respiradores para hospitais

Sediada em Jaraguá do Sul, a catarinense WEG reinventou-se e também contribuiu no combate à propagação da Covid-19 no país. Com base em toda a tecnologia já utilizada para a criação de produtos para outros segmentos da indústria, a empresa firmou parceria com o Ministério da Saúde para a produção de respira[1]dores, a serem entregues ao Sistema Único de Saúde (SUS).


O contrato visou o fornecimento de 1.450 respiradores pulmonares, destinados às Unidades de Terapia Intensiva (UTI). O plano inicial era produzir 500 desses equipamentos, em função da dificuldade na busca de componentes importados. Porém, a companhia conseguiu viabilizar a produção de um número maior de componentes e aumentar o planejamento de produção, ampliando o atendimento das demandas. Do total produzido, 950 foram destinados ao governo federal e outros 500, ao Estado de Santa Catarina.

Para que os ventiladores pudessem ser produzidos, a WEG teve que adaptar cinco fábricas à produção de ferramentas, válvulas e gabinetes metálicos, componentes plásticos e placas eletrônicas. Em uma operação de alta complexidade, a empresa conseguiu montar, em pouco mais de 30 dias, uma linha específica à execução desses equipamentos, em Jaraguá do Sul.


Do presencial ao on-line

Não foram apenas as grandes empresas que se reinventaram nesse período. Pequenos negócios foram afetados com a pandemia, e os empresários tiveram que buscar alternativas para mantê-los abertos. Por isso, muitos adotaram o sistema de delivery, para entregar os produtos aos clientes, e até mesmo expandiram seus negócios para plataformas on-line, a fim de seguirem em funcionamento.


Proprietário da academia Core, Bruno Thizon Menegali buscou alternativas para manter o empreendimento aberto. Em 2020, o negócio teve que permanecer fechado, por conta de decretos estaduais, como medida para frear a propagação do vírus. Foi então que surgiram os treinos on-line. “Nós fizemos reuniões e nos reorganizamos nesse período, mas, percebemos que os treinos virtuais eram uma alternativa a quem buscava continuar se exercitando e ainda com medo de ir à academia”, relata.


Levando a mesma metodologia do presencial ao on-line, vários alunos de Bruno aderiram à novidade, e novos se matricularam. “Nós não sabíamos qual resultado isso nos traria, mas fomos surpreendidos com a adesão. Mantivemos a metodologia de fazer um treino personalizado para cada aluno e com um professor supervisionando”, explica. O treino on-line foi incorporado aos serviços oferecidos e deve permanecer a longo prazo. “Nesse formato, conseguimos manter os alunos mesmo em período de baixa, como janeiro. E estamos atendendo pessoas de outros locais, como Florianópolis, Rio Grande do Sul, Paraná, Mato Grosso e até do Pará. É algo que veio para ficar e suprir a necessidade dos nossos alunos, que, às vezes, possuem dificuldade de encaixar a hora do treino na rotina”, comenta.


Confecção de máscaras

Viviane Azeredo foi proprietária de uma loja de roupas por três anos. Contudo, em 2020, ela deixou o comércio e mudou de ramo, passando a confeccionar máscaras. Com o avanço da pandemia e respeitando os decretos que proibiam a abertura do comércio, a loja ficou fechada. E quando voltou ao trabalho, percebeu que o movimento havia caído. “Depois, a minha sócia positivou para Covid-19 e tivemos que fechar novamente a loja, por conta do isolamento”, salienta Azeredo.


Com o retorno ao trabalho, ela não se sentia mais confortável com o fluxo de pessoas no interior da loja, com medo da propagação do vírus. “Foi então que começamos a fazer as máscaras. Primeiro, para doar, e depois as pessoas passaram a comprar”, comenta.


Sem a renda da loja, houve um período em que Azeredo passou a confeccionar mais de 500 máscaras por semana. Fazíamos cinco mil máscaras por mês para entregar em um frigorífico, e então começamos a fazer as máscaras para outras empresas também”. Além de vende-las para empresas, ela também vendia para a população em geral. “Produzíamos máscaras com personagens e estampas diferenciadas, que faziam muito sucesso. Foi isso que nos ajudou financeiramente nesse período difícil”, relembra. Hoje, com a facilidade em encontrar máscaras no mercado, Azeredo partiu para outro desafio. Ela está montando um aplicativo que visa auxiliar a população a liquidar suas dívidas. “É um aplicativo para que as pessoas que têm dívidas com alguma empresa possam influenciar outras pessoas a comprar. Com isso, ganham uma pequena comissão, e as[1]sim conseguem saldar as dívidas com aquela loja”, finaliza.

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