O reinado de Champagne

Por: Mareliza Cupolilo

Foto: Carla Gama

Viajar não se resume a sair de um lugar para o outro. É uma experiência para os nossos cinco sentidos. Cores, texturas, melodias, perfumes e sabores são assimilados em doses extraordinárias. Não há como permanecer indiferente ao dinamismo injetado pelas descobertas de uma viagem.

Albert Einstein afirmava que “a mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu tamanho original”. É exatamente assim que eu percebo o efeito do turismo. Após conhecer e vivenciar experiências num novo lugar, voltamos transformados e mais abertos.

Já que falamos, há poucas páginas, do legado de Veuve Clicquot, a grande dama do champanhe, nada mais oportuno do que nos inspirarmos pela cidade que foi seu berço e casa por toda a vida: Reims, cidade francesa na região da Champagne, localizada a cerca de 150 km de Paris.

Reims é carinhosamente apelidada como “cidade dos reis”, porque a catedral localizada em seu solo foi palco da coroação de nada menos que 33 monarcas franceses. A Catedral de Notre-Dame de Reims, em que pese haver sido parcialmente destruída e reconstruída em ocasiões passadas, sobretudo em razão da 1ª Guerra Mundial, é um dos mais belos e imponentes edifícios góticos existentes, revelando-se, sem dúvida, como uma das maiores obras arquitetônicas do mundo.

O templo é notório por reunir mais de 2.300 estátuas, sendo considerado, por isso, a igreja com o maior número desses exemplares em todo o planeta. Mas uma escultura merece especial destaque. Localizado no portal esquerdo da fachada de entrada, a dar as boas-vindas aos fiéis e aos turistas, encontra-se o intrigante “Anjo Sorridente”. Por que ele sorri, não se sabe. Há quem diga que está feliz por causa do champanhe.

Particularmente, imagino que o seu sorriso seja de admiração por presenciar há séculos a força de um povo que resiste a guerras, revoluções, ocupações e, ainda assim, reinventa-se. Um anjo que assistiu à coroação de dezenas de reis e que viu chegar à sua frente uma jovem guerreira de 17 anos, chamada Joana D’Arc, responsável por conduzir a França a expressivos triunfos contra a Inglaterra na Guerra dos Cem Anos. Também sorri porque, bem diante dos seus olhos, foi batizada a menina Barbe-Nicole, a fantástica Veuve Clicquot. Sorri porque é testemunha ocular de incontáveis eventos da história da humanidade. E vê tudo do alto. Bem do alto da fachada da Notre-Dame de Reims.



Foto: Arquivo Pessoal Mareliza Cupolilo
Foto: Arquivo Pessoal Mareliza Cupolilo

Maisons e Caves

Mas, definitivamente, a catedral não é o único atrativo da bela cidade. Lá também se reúnem as Maisons e caves dos champanhes mais famosos da Terra. Então nada mais justo do que reservar tempo em Reims para conhecer o processo de fabricação e experimentar o sabor inigualável de tantos champanhes de prestígio. Se o tempo for curto e só houver chance de conhecer uma Maison... é melhor se dirigir logo para as caves da Maison Veuve Clicquot! Mas, atenção: a visitação é concorrida e precisa ser agendada com boa antecedência. Mais um gentil alerta precisa ser feito: as caves consistem, sobretudo, em túneis subterrâneos, cuja temperatura chega a 10°C. Por isso, não cometa o erro de pensar que não precisará de um agasalho. Leve-o consigo.


Foto: Arquivo Pessoal Mareliza Cupolilo

Um curioso momento da visita pode passar despercebido por quem não esteja atento. Numa pequena sala escura, fechada por um portão de ferro, há uma garrafa de Veuve Clicquot que é considerada um troféu para a Maison.

Em 2010, no mar da Finlândia, foram encontradas algumas garrafas desse champanhe, que faziam parte de um carregamento de um navio naufragado por volta de 1840. Essas garrafas foram retiradas do fundo do mar com todo o cuidado e encaminhadas à degustação por renomados especialistas. A avaliação final foi de que aqueles champanhes eram ainda muito bons. Uma dessas garrafas é exatamente o troféu a que me referi.

Estar diante dessa garrafa significa estar na presença de um champanhe produzido sob o comando direto de Barbe-Nicole. Para mim, a razão desse champanhe seguir saboroso passados eu indico quase 200 anos, é a própria Veuve Cliqcuot, que fez questão de engarrafar a sua paixão e expertise para seguir sempre surpreendendo o mundo, passe o tempo que passar. Tim-tim!

Eu indico

Restaurante Brasserie Le Jardin, no hotel de luxo Les Crayères:

Foto: Relaishateaux.com

Dica típica: tomar uma taça de champanhe acompanhada de um “biscuit rose de Reims”:

Foto: Atlasobscura.com

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