O SEGREDO PARA CRESCER EM QUALQUER ÁREA


Foto: Arquivo Pessoal

Mais do que habilidade inata, sorte e, com certeza, mais do que contatos importantes: apegar-se à perseverança é o atributo mais comum entre as pessoas mais talentosas e bem-sucedidas do mundo. Pelo menos, isso é o que defende a artista Jhenny Keller, de 26 anos. Formada em Engenharia Civil, ela abandonou a carreira para apostar no sonho de trabalhar com arte. Hoje, atua na área de hand lettering, e o hobby virou trabalho. Em menos de cinco anos, Jhenny já se tornou referência no assunto. Conta, atualmente, com uma legião de fãs na internet. São quase 600 mil seguidores na plataforma TikTok e mais de 100 mil no Instagram. A artista também tem um canal no Youtube, no qual compartilha a rotina e dicas para quem quer começar a atuar na mesma área. Para a Vision, ela conta que se conecta com as pessoas ao mesmo tempo em que se desenvolve profissionalmente em um trabalho estável.


Eu sempre fui muito boa nas disciplinas de artes, me destacava, tanto que era a minha aula preferida. As professoras me amavam, e eu me sentia muito especial. Não desenhava super bem, mas eu pintava e gostava muito daquilo. Era um prazer gigantesco. Por volta dos 11 e 12 anos, eu queria ser artista. Só não sabia exatamente o quê. Falava que queria ser cantora, compositora, atriz, ou qualquer coisa relacionada. Aí fui crescendo, e isso foi parecendo cada vez mais distante. O tempo foi passando, e eu comecei a gostar muito de cálculo também. Sempre fui dedicada e ia bem em todas as disciplinas, mas com a matemática passei a ter uma relação mais estreita. Aos 16 anos, eu já me formei na escola e decidi começar a faculdade. Nesse momento, todo mundo me dizia que profissão de artista não tinha futuro e que eu precisava estudar para ter uma carreira mais sólida, que desse maior estabilidade financeira. Quando prestei vestibular, fiz para Secretariado Executivo, Engenharia Química e Civil. Passei em todos, mas acabei sendo mais racional e indo cursar Engenharia Civil.


Acabei me surpreendendo, porque eu esperava que no curso fôssemos ter algo mais voltado para a Arquitetura, o que é um erro bem comum. Mas mesmo depois de perceber isso, eu continuei e fui até o fim. Fiz estágios, amigos e me formei como a melhor aluna da turma, além de conseguir emprego na área. Eu gostava do que eu fazia, mas estava sempre com a sensação de que faltava a cereja do bolo, faltava alguma coisa

Na época em que eu estava fazendo meu Trabalho de Conclusão de Curso, ao mesmo tempo organizei meu casamento. A cerimônia aconteceria três meses depois da apresentação do TCC. Eu comecei a pesquisar inspirações e resolvi fazer a escrita dos convites. Os convidados amaram e ficaram perguntando com quem eu tinha feito, porque o trabalho estava incrível. Foi aí que realmente tudo começou a mudar.

Foto: Arquivo Pessoal

Primeiro, comecei a tratar como um hobby. Passei a pesquisar sobre o mundo do lettering e da arte, e tudo foi acontecendo aos poucos. Comecei a desenhar e resolvi estudar mais sobre o assunto, mas tudo por conta. Também passei a consumir muito conteúdo artístico, procurando referências e pesquisando sobre tudo. Fiz todo o design de uma das paredes da minha casa e não parei mais. O pessoal gostou e pedia o contato de quem tinha feito. Primeiro, fui fazendo o serviço só para pessoas conhecidas: fiz uma das paredes da casa dos meus sogros, da minha cunhada; depois, de uma amiga; em seguida, de um amigo, e aí já fui contratada para fazer na casa de uma pessoa que não era do nosso círculo. Era o meu primeiro cliente de verdade.


Até então, eu conseguia caminhar em paralelo, com o meu hobby de artista e a minha profissão como engenheira civil. Fui tocando os dois ao mesmo tempo. Pegava menos projetos na área de engenharia, mas ainda atuava. Era minha muleta. Eu não queria deixar, porque era a minha certeza, a carreira de formação. No entanto, chegou um momento em que eu precisei decidir. Tranquei meu CREA, paralisando os pagamentos, e passei a viver só de arte. Foi um grande desafio, mas, também, muito compensador.


De forma alguma eu desprezo a minha formação acadêmica. O curso de Engenharia Civil me ajudou muito, principalmente na minha disciplina e perseverança. Ele formou quem eu sou, me lapidou e ajudou para que eu pudesse me encontrar e correr atrás daquilo que eu queria. Sem falar em questões técnicas. Quando comecei a voltar com esse meu lado mais artístico, precisei enfrentar alguns desafios. Por exemplo, como passar o desenho que eu tinha feito em um papel, corretamente e na mesma proporção, para uma parede grande? E aí comecei a usar as teorias de escala. Fazia os desenhos com o escalímetro e projetava na parede. Então, graças ao curso é que eu soube lidar com essas coisas mais lógicas, envolvendo medidas, por exemplo. Hoje, se eu voltasse no tempo, teria feito o curso de Engenharia Civil de novo.


Acredito que as coisas crescem à medida que a gente coloca o nosso coração e a nossa dedicação. Então, do ponto de vista financeiro, se eu tivesse perseverado como engenheira civil, eu teria uma vida financeira estável e tudo aquilo que a nossa geração busca. Mas como artista, hoje, eu também tenho uma carreira bastante estável, graças a Deus, o que eu achava que poderia não ter. E isso, justamente, por conseguir me dedicar, colocar tempo e dedicação na minha profissão e tratar tudo com tanto cuidado.

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