O sonho e a máquina do tempo

Por Mareliza Cupolilo

Todo mundo tem um sonho maluco. No meu, estou sempre arquitetando e construindo uma máquina do tempo. Mas se não bastasse tal delírio, o projeto da minha invenção é ainda mais audacioso: conta com espaço interno para três tripulantes e nos permite viajar por tempos distintos e reunir pessoas diferentes.


Durante meu repetitivo sonho, volto sempre à etapa construtiva. Afinal, fabricar uma engenhoca dessas requer muito estudo e revisão. Mas, então, acordo e fico fantasiando de olhos abertos, tentando imaginar onde a máquina me levaria.


Como boa virginiana, já planejei os primeiros pontos de parada, caso, ainda que num sonho, eu tenha a sorte de experimentar uma viagem no tempo. Eu iria direto para Minas Gerais, bem no comecinho de 1789. Aterrissaria na casa do alferes Joaquim José da Silva Xavier e o chamaria por Tiradentes, sua famosa alcunha.


Ao ver os meus trajes modernos e a minha luminosa cápsula viajante, ele não duvidaria quando eu lhe dissesse que venho de outro tempo para convidá-lo a um passeio e que trago informações sobre o futuro do Brasil.


Após ouvir atentamente as minhas palavras, Tiradentes embarcaria comigo rumo a Laguna/SC, no ano de 1839. Pousaríamos na casa de Ana Maria de Jesus Ribeiro, pouco tempo antes de ela se tornar a famosa Anita Garibaldi.


Refeita do susto, convidaríamos a futura Anita para uma viagem ao Brasil atual. Ou melhor, viajaríamos direto para o Brasil de 2041. O destino seria Brasília, mais precisamente o Panteão da Pátria e da Liberdade. Lá estando, subiríamos ao ponto mais alto do monumento para que Tiradentes e Anita pudessem ver a cidade.


Eu contaria a Tiradentes que, desde 1822, o Brasil se tornou independente de Portugal. E revelaria a Anita que, em 15 de novembro de 1889, o nosso país, finalmente, se tornou uma República.


A Tiradentes, eu pediria que ele e seus amigos inconfidentes tomassem muito cuidado para a execução de seus planos e, sobretudo, que abrissem os olhos quanto a quem confiar seus segredos, pois a sua luta pela independência, contra o excesso de violência e exploração, deveria perdurar, para que o Brasil aprendesse mais cedo essas lições.


A Anita, eu diria que sua história se tornou fonte de determinação, coragem e inspiração. Também lhe contaria que ela há de conhecer o amor da sua vida e que, junto dele, os dois marcarão a história do mundo, pela qual serão conhecidos como o herói e a heroína de dois mundos.


Boquiabertos, meus passageiros ainda ouviriam que 20 anos antes daquele nosso instante em Brasília o mundo estava submerso numa pandemia catastrófica que infligiu duras penas a todos os países. E que em 2041, o Brasil, depois de séculos de desatinos, finalmente vivenciava a história que sempre mereceu: prosperava na saúde, educação, segurança, economia e justiça.


Antes de finalizar a nossa viagem intertemporal, eu os levaria até o Livro de Aço do Panteão e lhes mostraria que os seus nomes foram entronizados como herói e heroína da Pátria. A eles, eu expressaria a minha imensa gratidão e apreço por tudo o que fizeram (ou ainda farão!), desejando-lhes muita sorte e garra.


Por fim, nos despediríamos e entraríamos no meu equipamento futurista em direção ao tempo e espaço de cada um de nós três: 1789, 1839 e 2021. Ah, que maravilhoso seria... quero mais é voltar a sonhar!

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