Panorama das eleições

Por Laércio Menegaz Júnior

Foto: Arquivo Pessoal Laércio

O processo eleitoral de 2020 mostrou que o eleitor foi conservador, apostando, em sua maioria, em candidatos tradicionais para o Executivo municipal. Como já comentei por aqui, em 2018 houve a eleição do novo e do antipolítico. Já este último pleito contou com o candidato preparado e o tradicional. Também cabe avaliar as pesquisas durante as eleições brasileiras.


Dentre dez cidades catarinenses em que foram realizadas pesquisas, em oito os resultados se concretizaram. No brasil, também, a maioria das pesquisas nas vésperas de eleição teve seus resultados confirmados nas urnas. Porém, o alto índice de abstenção irá fazer os institutos de pesquisas refletirem sobre novas metodologias a serem utilizadas.


ABSTENÇÃO

O processo eleitoral foi realizado em um cenário de pandemia. Como já era esperado, a abstenção de votos foi grande. Em um país em que o voto é obrigatório, no segundo turno 29,5% dos eleitores habilitados optaram por não comparecer às urnas. Esta é a maior abstenção no processo eleitoral das últimas décadas. Um número bem superior aos anos de 2018, 2016 e 2014, quando o índice ficou na média de 21%. Mas a pandemia não foi o único motivo que levou muitos brasileiros a não irem às urnas. O quadro agravado pela crise econômica decorrente da situação da Covid-19 teve influência, mas, mais que isso, as recentes revisões nas regras eleitorais desestimularam o debate e a participação cívica.


PARTICIPAÇÃO FEMININA

As últimas eleições também marcaram o aumento da participação feminina no processo eleitoral. Dados oficiais mostram que para 12,2% das prefeituras foram eleitas mulheres. Na eleição de 2016, este número foi de 11,57%. De um modo geral, a participação feminina na política já caminha para além do cumprimento da cota obrigatória de 30% reservada pelos partidos. De acordo com a Justiça Eleitoral, no pleito de 2020 as mulheres representaram 33,6% do total de 557.389 candidaturas, superando o maior índice das três últimas eleições, que não passou de 32%.


COMPOSIÇÕES PARA 2022

O presidente Jair Bolsonaro ainda é o favorito na corrida presidencial. Porém, mostrou desarticulação política em 2020. Sem partido, visto que não conseguiu criar o Aliança, seus simpatizantes migraram para várias siglas na disputa municipal. Sem organização, não venceu. Mas também não perdeu, pois não tinha um partido para chamar de seu. É um nome difícil de ser batido em 2022, mas não impossível. Pode aproximar-se do PP, seu antigo partido. Teria dinheiro do fundo partidário e tempo de TV e rádio.


PSDB, DEM e PMDB devem estar juntos, construindo uma candidatura no campo ideológico de centro. Com o grande número de prefeitos eleitos no Brasil em 2020, líderes como ACM Neto, Bruno Covas, João Doria e Luciano Huck ganham espaço no cenário nacional. Precisaria haver muito diálogo para uma construção sólida e um projeto vencedor.


A esquerda vai precisar se organizar. O PT sai fragilizado, com resultados pífios. Mas há três líderes que se destacam e devem trabalhar o consenso. São eles: Ciro Gomes, filiado ao PDT e com boa penetração principalmente no Nordeste, porém é ‘briguento’ e estourado; Guilherme Boulos, do PSOL, fortalecido na disputa em São Paulo, mas, como é da esquerda mais radical, precisa fazer um marketing à la ‘Lulinha Paz e Amor’ de 2002 para ganhar a confiança do mercado; e o atual governador do Maranhão, Flávio Dino do PCdoB, que, preparado e bem articulado, pode ser a grande surpresa da esquerda. Tem muita água para rolar embaixo e por cima da ponte. Vamos acompanhar.

ACABOU A ELEIÇÃO, E AGORA?

  • VENCEU?

Parabéns! Você está eleito! Hora do prefeito, vice-prefeito e vereadores colocarem em prática tudo o que assumiram na campanha. Para isso, o planejamento do mandato é fundamental, organizando uma equipe competente, com metas e prazos para o exercício de quatro anos. Quem planeja tem futuro, quem não planeja tem destino. E não esqueça: continue conversando com o seu público. Comunicação profissional é fundamental.


  • PERDEU?

Não desanime! Comece a organizar, com calma, seu novo projeto político. Com sua exposição na campanha, hoje você é uma figura pública e tem capital político. As pessoas não têm o discernimento que, em razão do final da eleição, acabaram também todas as suas propostas, intenções e vontade de fazer coisas pela sua cidade e pelo seu povo. Para a sociedade, você continua com as mesmas metas e propósitos. E continua, não é verdade? Por isso, siga conversando com o seu público. Ele irá pensar: ‘Esse líder tem propósito. Não conseguiu agora, mas na outra conseguirá’.

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