Poupança ou Tesouro Direto?


As duas aplicações são populares e possuem baixo risco, mas em tempos de juros baixos é preciso escolher o melhor investimento.


Com tantas ferramentas, principalmente na internet, as pessoas estão buscando cada vez mais informações sobre investimentos e o mercado financeiro. Para quem está começando, encontrar meios de investir parte da renda pode parecer complicado. Uma das principais dúvidas é sobre qual a melhor opção: poupança ou Tesouro Direto? As duas aplicações são consideradas de baixo risco e podem ser boas alternativas contra a queda na rentabilidade dos vários tipos de fundos de renda fixa, oferecidos pelos grandes bancos.


É preciso conhecer as duas modalidades detalhadamente para entender os recursos e como elas funcionam.


POUPANÇA:

  • É isenta de custos e tributos

  • Remuneração creditada mensalmente

  • Pode ser aberta em qualquer banco

  • Possui a mesma taxa de rendimento, independentemente da instituição

  • Resgate fácil


TESOURO DIRETO

  • Aplicações podem ser feitas com valores baixos

  • Possui liquidez diária

  • Oferece diferentes opções de títulos públicos

  • Alíquota regressiva


Sendo um tipo de renda fixa, a poupança é considerada uma das opções mais seguras para qualquer pessoa. Por isso, é uma das modalidades de investimentos mais conhecidas pelos brasileiros. No entanto, rende, ao ano, só 70% da Selic – que representa os juros básicos da economia brasileira. Além disso, apesar de ter liquidez diária, os resgates devem ser feitos a cada 30 dias, no aniversário do depósito, para que os rendimentos não sejam perdidos. A poupança é tão tradicional que cerca de 84% dos brasileiros guardam dinheiro na caderneta, de acordo com uma pesquisa da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima).


A aposentada Dirce Rodrigues, 87 anos, até já pensou em realizar outros tipos de investimento, mas acabou ficando na poupança. “Procurei algumas opções, mas não tive paciência, sou muito ansiosa. Até porque vi alguns investimentos em que não poderia mexer por certo tempo, então preferi deixar na poupança, pois posso retirar a qualquer momento. Sei que poderia fazer mais dinheiro, mas é mais fácil e rápido para mim deixar na poupança, além de confortável”, conta.


84% dos brasileiros têm dinheiro na poupança, a maioria entre 25 e 59 anos

Fonte: pesquisa associação brasileira das entidades dos mercados financeiro e de capitais (anbima - 2020)




O segundo investimento mais utilizado pelos brasileiros é a previdência privada, com 6%. Em terceiro lugar, estão os títulos privados, como debêntures, CDBs (Certificados de Depósitos Bancários), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário), LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), entre outros. Os títulos públicos, em que se enquadra o Tesouro Direto, aparecem em último lugar, com 3% da preferência da população.


O Tesouro Direto é um programa criado em 2002 pelo Tesouro Nacional – órgão responsável pela gestão da dívida pública – para permitir que pessoas físicas comprem papéis do governo federal pela internet. Basicamente, ao comprar um título do Tesouro Direto, o investidor está emprestando dinheiro ao governo. A modalidade permite fazer aplicações a partir de R$ 30 e oferece liquidez diária.


Os investidores podem aplicar por meio de diversos bancos e corretoras de valores. Há, também, várias opções de títulos públicos à venda para perfis diferentes de investidor. Para escolher, é preciso definir o prazo em que você quer deixar o dinheiro investido e o nível de risco que está disposto a correr. Há três grupos de títulos públicos à venda no Tesouro Direto: prefixados, pós-fixados e híbridos.


GRUPOS DE TÍTULOS PÚBLICOS À VENDA NO TESOURO DIRETO

  • PREFIXADOS

No momento da compra, você sabe exatamente quanto vai receber de retorno, desde que faça o resgate apenas no vencimento do título.


  • PÓS-FIXADOS

Você conhece os critérios de remuneração, mas só saberá o retorno total do investimento no momento do resgate, uma vez que estes papéis são atrelados a um indexador que pode variar.


  • HÍBRIDOS

Têm parte da remuneração definida no momento da compra e o restante atrelado à variação da inflação.


O educador financeiro Leandro Benincá garante: quem guarda só na poupança está perdendo dinheiro. Isso porque, de acordo com ele, a poupança muitas vezes chega a render menos que a inflação. Benincá também defende que está cada vez mais fácil investir.


“Com uma meia dúzia de cliques em um aplicativo, você troca sua poupança por um Tesouro Direto. E dependendo do seu objetivo, por outras coisas que rendem muito mais e são mais seguras. Não há mais motivos para ainda se ter uma poupança. O problema é que muitas pessoas ainda são reféns dos bancos. Mas por quê? Só porque há pessoas de terno lá dentro? As pessoas confiam sem nem pensar. É preciso ser crítico, principalmente ao ouvir indicações de título de capitalização e consórcio, por exemplo”, alerta.



A dica é buscar referências e escolher uma corretora para começar a investir. O educador financeiro explica que o processo todo é muito simples e que qualquer um pode iniciar imediatamente, principalmente porque hoje em dia as pessoas já estão habituadas a usar aplicativos e meios digitais para vários serviços. “Abrir conta em uma corretora é igual a abrir uma conta no Instagram, Facebook. Dentro do app ou site, você escolhe Tesouro Selic. Não tem desculpa. É só seguir os passos. Todo mundo um dia teve que aprender a usar uma coisa nova. É a mesma coisa! Saia do confortável e de onde você está e comece imediatamente a investir. Você vai me agradecer depois”, garante.


O engenheiro de software, Rafael Buzzi de Andrade, decidiu pelo Tesouro Direto depois de trocar experiência com conhecidos. “Quando eu descobri que os fundos de previdência privada usam, basicamente, o tesouro direto, me ocorreu de cortar os intermediários. Então, eu uso o tesouro primariamente como fundo para aposentadoria. Com o tempo, também substituí a poupança. Então, eu tento manter títulos a longo e médio prazo”, explica.


Rafael conta que ainda não está apostando em investimentos mais arriscados porque deseja estudar mais sobre o assunto. “Quando eu me informo, geralmente é via troca de experiência com amigos – o que ficou um pouco prejudicado na pandemia. A outra forma é via canais de Youtube especializados no assunto, bem como sites que tratem disso. Mas só a busca on-line não me deixa muito confiante. Prefiro debater com outras pessoas antes. Assim que tiver um pouco mais de tempo, farei isso”, revela o engenheiro de software.


Reserva de emergência

Poupança e Tesouro Direto são investimentos muito utilizados para guardar aquele dinheiro que você precisa manter, como o de uma emergência, por exemplo. Essa é justamente a dica dos especialistas: antes de começar a investir, o primeiro passo é fazer uma reserva. Independentemente da vida que você leva, em algum momento algo pode dar errado nela, e é para isso que a reserva de emergência serve. Você tem que ter um pouco do seu custo de vida lá. O suficiente para passar alguns meses sem aperto se enfrentar alguma coisa muito séria, como perder o emprego.


“Não importa se hoje você tem R$ 1 milhão ou R$ 50. Você precisa de uma reserva de emergência. Você vai pegar quanto é o seu custo de vida mensal e guardar pelo menos uns três a seis meses dele no Tesouro Selic. A partir do momento em que você tem esse montante, para caso aconteça algum problema, aí é hora de pensar em investir. Essa reserva de emergência não é investimento, ela é tipo um seguro”, resume Benincá.


Leandro Benincá é educador financeiro na plataforma ‘Um a Menos na Poupança’ e dá dicas sobre o assunto nas redes sociais (@lebeninca).


Mudança

Se você está em um momento da sua vida em que está desconfortável financeiramente, seja ganhando um salário mínimo ou 50 salários mínimos, você tem que fazer alguma coisa para mudar isso. Não dá para esperar cair do céu. “Tem gente que diz que já reduziu todas as despesas, mas tem que lembrar que reduzir despesas só é bom até um certo ponto. Porque, mesmo que você reduza as suas despesas a zero, é o limite que você tem. Sempre tem como melhorar. Não estou dizendo que um cara que ganha um salário mínimo precisa querer ser milionário no outro mês. Mas sair de um salário mínimo para ganhar dois já é mais possível. Se ganha dois e passar a ganhar quatro, ou quem ganha dez passar a ganhar quinze, já faz uma grande diferença. A busca por melhorar precisa estar presente”, sugere.


Comportamento

Ainda de acordo com a pesquisa da Anbima, 74% dos brasileiros não investem porque afirmam não ter condições financeiras. Para o educador financeiro, este é um índice bem alarmante, já que a falta de dinheiro pode ser real, mas ganhar mais nem sempre vai resolver o problema. “O brasileiro gasta até o último centavo do dinheiro que cai na mão dele. Se ganha R$ 100, quer gastar R$ 100. Se ganha R$ 1 mil, quer gastar R$ 1 mil. É um pensamento que vai contra o instinto de guardar dinheiro, requer esforço. Meu conselho é: guarda dinheiro e cala a boca. As pessoas inventam desculpa, inventam moda. Falam dos riscos. Guarda em uma caixa de sapato. É melhor do que nada. Guarda na poupança. É ruim? É. Mas é melhor do que nada. Não gaste o seu dinheiro inteiro. Use-o para se proteger”, expõe.


Sobre as pessoas que dão opinião sobre a sua vida financeira, o Benincá garante: “Nós temos que pensar o seguinte: todo mundo tende a se achar mais inteligente que a média. Mas as pessoas têm que entender que, a média, por definição na matemática, é baixa. Se é alguma coisa que todo mundo faz, vai dar o resultado que todo mundo tem. Que no caso, é ficar sem dinheiro. Você precisa buscar sempre pelo diferente”, finaliza

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