Reencontros


Fotos: Stella Mendes

Por Saimon Novack


Depois de muitas privações sociais por conta do Coronavírus, reuniões em torno de uma mesa farta, com amigos e familiares, estão mais próximas de ocorrer.


DE CASA E CORAÇÃO ABERTOS

Após um longo período de privações, incertezas e poucos abraços por conta da Covid-19, a esperança de dias melhores acalenta nossos corações e nos faz pensar nos reencontros, sejam eles com familiares, amigos, ou até mesmo com lugares e situações. Quanta aflição, quanta reflexão... quanto aprendizado! E você, leitor, já idealizou como vai ser reabrir a casa e o coração para acolher aqueles que lhe fazem bem e que até o inspiram a ir para a cozinha? Eu já! Tenho até o menu definido para receber amigos que não tenho o prazer de ter em minha casa desde março, com direito à entrada, prato principal, sobremesas, drinks e até lanche da madrugada. Sim, os encontros na casa deste cozinheiro duram horas a fio. Quanta saudade!


Se tem uma coisa que me traz alegria nesta vida é receber pessoas em minha cozinha e no aconchego do meu lar. Aliás, minha esposa e filhas também gostam de casa cheia. Sei que muita gente também gosta, mas pouco o faz por insegurança. O que servir? Como arrumar a mesa? E se o convidado tiver alguma restrição alimentar? E se não gostar da minha comida? Essas são as dúvidas mais recorrentes em minhas mídias sociais, principalmente de recém-casados ansiosos por apresentar o novo lar. A primeira coisa que falo é: ‘Receber tem que ser prazeroso, jamais desconfortável. Relaxem!’. E ali início a desmistificação de que cozinhar para outras pessoas é sinônimo de trabalheira, gasto excessivo e estresse. Pelo contrário.


AFETO: O INGREDIENTE MAIS POTENTE

A ideia é tornar este momento significativo e não somente satisfazer o apetite. Quando tomamos a decisão de cozinhar para alguém, tal ato tem que ser prazeroso. Alimentar as pessoas que gostamos envolve uma série de fatores: elaboração do menu, compra dos ingredientes, escolha das louças, arrumação da mesa, seleção das bebidas, e por aí vai... Mas reforço: tudo isso tem que ser prazeroso. Mesmo que o filé que você preparou com tanto esmero passe do ponto ou o molho da salada fique cítrico demais, toda a dedicação se sobressairá e estes pequenos erros de percurso se tornarão irrelevantes. O melhor de tudo é que essa sensação afetuosa de atenção e carinho acaba sendo recíproca. Tanto para quem serve quanto para quem come, a culinária traz um bem-estar singular.


UM ALMOÇO NA CASA DA VÓ

Exemplificando esse conceito, não precisamos ir muito longe. Basta resgatar na memória o último almoço na casa da vó. Aposto que o menu não foi à base de foie gras, trufas negras e caviar. E, ainda assim, foi uma experiência incrível. Você deve estar com saudade desse dia. É justamente isso que faz toda a diferença: envolvimento, doação e muito amor. Com esses três ingredientes, até uma ‘Carne Moída com Aipim à moda de um anfitrião cheio de amor’ se torna um banquete. Receba, cozinhe, divirta-se. Ou seja, colecione bons momentos à mesa. E, se bater aquele frio na barriga após fazer o convite para jantarem em sua casa, acione-me. Vamos dar jeito nisso!



DICAS DE COMO RECEBER BEM

Com mais de 40 anos de experiência no setor de eventos, Vilma Zanette elencou algumas dicas para receber amigos e familiares com elegância. Segundo ela, o gesto mais significativo é a generosidade de distribuir naquela ocasião a sua atenção e alegria em forma de comida, de decoração, de flor. “Capriche. Doe-se. Faça seus convidados sentirem-se importantes e acolhidos”, sugere.


A REGRA DE OURO: os convidados precisam se sentir bem. Para isso, o anfitrião também tem que estar à vontade e demonstrar isso agindo com naturalidade. É dispensável oferecer bebida e comida já na chegada do convidado. Ele precisa se ambientar.


SE O ANFITRIÃO FOR O COZINHEIRO, ele não precisa ficar justificando sua ausência o tempo todo. O convidado apenas deve ser comunicado de que o fogão vai ser ‘pilotado’ pelo dono da casa. No entanto, cabe a um integrante da família recepcionar os convidados e deixá-los à vontade.


Foto: Cleber Bonoto

ESCOLHA UM MENU com opções que você acredita que irão agradar à maioria dos paladares. Se a entrada não agradar muito, o prato principal deve cumprir esse papel. Ou vice-versa.


APROVEITE PARA USAR AQUELAS LOUÇAS ESQUECIDAS NO ARMÁRIO. Louças de família são sempre elegantes e atuais. Sem contar que são sinônimo de memória afetiva à mesa. Mesclar louças está em alta. Podemos misturar aparelhos de jantar, mantendo o bom senso.


NÃO PRECISAMOS DE INGREDIENTES NOBRES nem rótulos de bebidas caras para proporcionar um jantar memorável. Muitas vezes, a elegância está na simplicidade. O que conta mais pontos no bem receber são o carinho e a receptividade.


ESBANJE AMOR, seja ele em forma de flores, temperos frescos, velas ou bilhetinhos escritos à mão para cada convidado. É a oportunidade de transmitir uma mensagem carinhosa para aquela pessoa.


UM MIMO PARA CONTEMPLAR OS CONVIDADOS no fim da noite é sempre um gesto marcante. É como se eles tivessem levando um pedacinho da sua casa para os seus lares. Uma forma de relembrar a noite agradável que tiveram ao seu lado.

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