Sem carregador na caixa? Apple pode criar tendência no mercado


Foto Divulgação Apple

Os novos modelos do iPhone 12 estão repletos de recursos, incluindo uma melhora significativa nas já conhecidas e sofisticadas câmeras. Mas, como já vinha sendo especulado na imprensa, a Apple retirou acessórios que incluía na caixa do iPhone há muitos anos – desde 2007, como os fones de ouvido e o carregador. A partir de agora, o único acessório incluso na caixa dos modelos de iPhone 12 é um cabo lightning usado para o carregamento.


A empresa está lançando a tendência como um movimento ambiental, como já havia feito anteriormente com os modelos de Apple Watch. Por causa dessa mudança, a caixa de cada iPhone teve o tamanho reduzido. Isso significa que cabem 70% mais dispositivos em cada remessa transportada, resultando em mais aparelhos enviados aos usuários, simultaneamente. As caixas menores também permitem que a Apple reduza as emissões anuais de carbono.


Durante o evento de lançamento, a vice-presidente da Apple, Lisa Jackson, disse: “Às vezes, não é o que fazemos, mas o que não fazemos que conta. Sabemos que os clientes têm acumulado adaptadores de energia USB e que a produção de milhões de adaptadores desnecessários consome recursos e aumenta nossa emissão de carbono”, defende.


Tendência

Com a mudança por parte da Apple, muitos usuários começaram a questionar nas redes sociais se isso não poderia ocorrer, também, com outras marcas. Para alguns concorrentes como Xiaomi, Motorola e Samsung, o momento foi oportuno para fazer piada com a decisão da empresa da maçã. As marcas enfatizaram a presença de carregadores em seus smartphones em publicações feitas no Twitter e no Instagram.


No entanto, existem boatos de que a sul-coreana Samsung também pode retirar alguns de seus acessórios da caixa de lançamentos do ano que vem, incluindo o carregador, com a justificativa de redução de custo para o consumidor.


A informação é do site coreano ETNews, que afirmou que “vários funcionários da empresa disseram que ela está discutindo com parceiros como remover os componentes dos novos smartphones”. A determinação, de acordo com o site, foi dada porque, para a Samsung, as pessoas devem ter carregadores suficientes depois de mais de dez anos no mercado.


Empresas serão notificadas no Brasil

A Secretaria Nacional do Consumidor notificará várias empresas de tecnologia sobre a venda de produtos sem o carregador na caixa. O órgão, que é ligado ao Ministério da Justiça, questiona se a venda de celulares sem o acessório viola os direitos do consumidor. Deverão dar explicações empresas como Apple, Samsung, Motorola, Xiaomi, LG e Asus.


O órgão quer esclarecimentos sobre o planejamento das empresas em vender celulares ou outros produtos sem o adaptador de tomada. A Secretaria Nacional do Consumidor quer saber se as empresas vão adotar a estratégia e se haverá redução no preço final dos produtos.


A secretária Nacional de Defesa do Consumidor Juliana Domingues declarou: “A notificação parte não apenas da necessidade de avaliar se a oferta dos itens de forma separada viola os direitos do consumidor, mas em compreender se a prática estimulará a compra de carregadores não certificados”, disse.


Situação na França

Na França, a adoção de uma caixa de iPhone sem os dois acessórios não vai poder ocorrer conforme o previsto. Isso porque, por lá, a legislação obriga que todas as fabricantes de smartphones ofereçam um fone de ouvido como ‘kit viva-voz’, no intuito de proteger a saúde das crianças do país. Existem estudos que levam a crer que a exposição contínua às ondas eletromagnéticas dos telefones pode provocar alterações nas células e causar câncer (dependendo do nível de intensidade da emissão de ondas de cada modelo de celular). No caso do carregador, o iPhone 12 também vem sem o acessório por lá.


Mercado Global

Segundo o site irlandês StatCounter, a Samsung é a fabricante de celulares com a maior participação no mercado global, com 30,6% dos aparelhos. A Apple, em seguida, tem quase 25% de participação. Em terceiro lugar está a Huawei, com 10,6% do mercado. A Xiaomi, em quarto, tem uma fatia de 9,47%.


Nos Estados Unidos, a Apple é líder disparada, sendo responsável por 59,7% dos smartphones no país. Mas, no Brasil, o mercado é dominado pela Samsung (com 44,6%), seguido pela Motorola (21,6%) e somente depois pela Apple (14,3%).



Preços do iPhone 12

Os preços dos novos modelos de iPhone 12 receberam muitas críticas dos consumidores brasileiros, já que são os mais altos vistos em nosso país desde o lançamento da primeira geração do smartphone. Enquanto o modelo mais básico, o iPhone 12 mini, de 64Gb, custa R$ 6.999, o modelo mais caro, o iPhone 12 Pro Max, de 512Gb, custa R$ 13.999.


Para quem vive no Brasil e ganha em Real, os preços são apontados como fora da realidade de grande parte dos usuários. A principal justificativa, de acordo com especialistas, seria a alta do Dólar, que só em 2020 aumentou quase 40% de valor.


Para tentar entender o contexto dos preços do iPhone 12 no Brasil, em relação ao resto do mundo, o portal Blog do iPhone faz, há 10 anos, uma comparação anual no que se refere ao preço do dólar na época de lançamento de cada aparelho. De acordo com o site, os preços em Dólar estão na mesma média dos anos anteriores, ou seja, o valor em Reais disparou, enquanto que em Dólar continuou constante.


Para o levantamento, foram considerados os valores cheios do modelo mais básico, transformando-os em dólar com o câmbio do dia que a empresa anunciou os preços no Brasil, no início de novembro de 2020. No câmbio, não estão incluídos impostos (como IOF) e nem o spread cobrado pelos bancos ou casas de câmbio.


Enquanto muitos usuários ficam indignados com a alta nos valores dos iPhones, é preciso lembrar que a Apple não será a única marca a ter que reajustar os preços por causa da alta do Dólar. Neste caso, a dica é simples: se você ainda tem um smartphone que lhe atenda, talvez seja melhor repensar se é a hora certa ou não para adquirir um novo aparelho.

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