TESTE NUTRIGENÉTICO: TUDO SOBRE A NOVA TENDÊNCIA

Cada ser humano é diferente, e muitas razões para isso estão em nossos genes. Enquanto algumas pessoas perdem peso fazendo só dieta, outras precisam se exercitar muito para chegar a um resultado parecido. Isso, porque os alimentos e seus nutrientes podem afetar as pessoas de maneiras muito distintas. Nesse sentido, a tecnologia tem contribuído com o desenvolvimento de ferramentas para entender as nossas individualidades. Uma delas é o teste nutrigenético.


A partir dele, é possível analisar – entre as variantes genéticas – as características de cada pessoa, sendo possível fazer recomendações nutricionais mais precisas, além de consensos usuais com base em estatísticas populacionais e pesquisas sobre o assunto. O teste analisa cerca de 100 variantes genéticas. Todas elas associadas ao potencial risco para patologias e intolerâncias que podem ser moduladas por uma nutrição personalizada, com base no modo pelo qual cada pessoa metaboliza diferentes macronutrientes ou apresenta necessidades particulares de micronutrientes como vitaminas e minerais.

Luciana Couto Leães, que é nutricionista integrativa e funcional e especialista em nutrição clínica, indica a realização do teste para os seus pacientes, já que o resultado pode auxiliar a melhorar a saúde de uma pessoa de diversas formas.

Crédito: Davi Nascimento

“O teste gera um laudo com um material incrível. Vem um resumo com vários itens. Por exemplo, se o paciente tem chances de desenvolver dislipidemia, ou seja, colesterol e triglicerídeos elevados. Mostra também uma tendência à esteatose hepática (gordura no fígado), diabetes e até mesmo hipertensão arterial. Também é interessante porque detalha como um paciente geneticamente metaboliza proteína, carboidratos e gorduras, de maneira geral, além de apontar as necessidades de ômega 3 e deficiências nutricionais”, exemplifica.

Também são gerados dados sobre o metabolismo do sal e se o paciente tem intolerância primária à lactose ou glúten. Tudo isso acontece a partir de uma amostra de saliva, com a coleta sendo realizada no consultório. A nutricionista esclarece que o paciente não precisa de nenhuma preparação prévia, ou jejum, apenas ficar meia hora sem tomar água ou comer.


Conhecendo mais sobre si

A arquiteta Graziele de Souza de 42 anos, decidiu realizar o exame depois de enfrentar problemas para voltar ao peso ideal. Com o resultado, descobriu que a causa do sobrepeso não tinha relação com nenhum fator genético, e sim com ansiedade, estresse e alimentação.

“Durante uma época, até tentei fazer jejum intermitente, mas graças ao resultado do teste descobri que esse tipo de plano alimentar não funciona para o meu corpo”, conta a arquiteta.


A nutricionista explica que a intervenção, por intermédio de um plano alimentar a partir da análise genética, é totalmente outra, com resultados muito mais rápidos e certeiros. O trabalho não acontece na base da tentativa e erro, e sim com embasamento científico. “No caso do jejum intermitente, muita gente usa essa técnica, mas alguns pacientes têm tendência a liberar mais grelina (hormônio da fome) ao final do dia. Então, para esses, ao contrário de perder peso, eles vão acumular mais gordura com esse tipo de plano alimentar. Por isso, o teste é tão importante. Ele vai nos dar um olhar mais preciso e mostrar se temos opções melhores para aquela pessoa específica: se é uma dieta low carb, cetogênica ou mediterrânea etc”, enfatiza Luciana


Tendências comportamentais

As deficiências nutricionais podem ser um estopim para outras doenças. A desordem do metabolismo pode desenvolver problemas psicológicos. Por não metabolizar certas substâncias, algumas pessoas podem produzir menos serotonina e apresentar quadros de depressão e ansiedade.


“O resultado mostra se a pessoa tem um sistema cognitivo mais deficitário ou tendência à ansiedade e comportamentos de compulsão alimentar. Também mostra quantas horas uma pessoa tem que dormir por dia, devido à genética. A análise expõe como o metabolismo responde à questão do tempo de sono, se o paciente tem tendência a ganhar peso ao dormir, se aumenta a vontade de comer carboidrato”, conta a nutricionista.


Custo e onde encontrar

Os testes de nutrigenética passaram por um grande avanço nos últimos anos, e os custos acabaram diminuindo com o aumento da demanda. O valor depende da localidade e do laboratório contratado para fazer a análise, mas é considerado relativo, devido ao custo-benefício. “Não é um teste que precisa ser repetido. Se você repetí-lo, ele sempre vai dar o mesmo resultado. Então, você faz um investimento único para a vida inteira”, ressalta a nutricionista. Ainda são poucas as cidades no Brasil que contam com profissionais que estão aptos a realizar o teste. No caso da nutricionista Luciana Couto Leães, o consultório fica em Tubarão, Santa Catarina, mas outras cidades, como Rio de Janeiro, São Paulo e Belo Horizonte, também contam com profissionais capacitados. “É preciso passar por toda uma seleção, realizar cursos e até fazer uma prova para poder trabalhar com teste nutrigenético. Mas esse, com certeza, é o futuro da nutrição e uma das maiores tendências de consumo do mercado de massa para os próximos anos. Em breve, todos estarão dispostos a fazer um plano a partir de um teste nutrigenético para personalizar sua alimentação”, explica.

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