Um dia para se tornar pai

Em uma noite como outra qualquer, enquanto estava sozinho em casa, Marivaldo Francisconi Carara, ouviu uma batida na porta e saiu para atender. Eram duas crianças, gêmeas, com apenas dois dias de vida. A reação foi recolher e acolher, manter a calma e tomar as providências que deveria. E ali, naquela hora, sem ao menos conhecer a história daquelas crianças, sem ter vivido a expectativa por nove meses ou ter entrado em um processo de adoção, nasceu um pai.


Há 25 anos, a família coleciona histórias de carinho, cumplicidade e resiliência. “Eu como filha adotiva posso falar horas e horas sobre a representação de família para mim, mas o que vem em minha mente e pula da minha boca é: gratidão! Meus pais, jovens, sem filhos nenhum, adotar de cara um casal negro, sendo que toda a família é branca, sem saber de onde viemos é um ato de coragem e amor”, conta a filha Priscila Lima Carara.


Apesar de ter todo amor que precisavam dentro de casa, na medida em que os irmãos foram crescendo, as pessoas começaram a fazer perguntas e mais perguntas. “Em casa tudo sempre foi muito esclarecido para meu irmão e eu. Fora, ouvíamos com frequência piadinhas feitas por outras crianças e não só por elas. Nossos pais nunca permitiram um olhar de reprovação ou preconceito contra nós, sempre fizeram de tudo para sermos tratados da maneira que qualquer criança merece, e foi assim que crescemos, em casa e com os familiares, sem indiferença, tendo que estudar, respeitar, trabalhar para conquistar as coisas, como tudo deve ser, como pessoas educadas e honestas”, destaca a filha.


O conceito de pai vai muito além de padrões impostos para a construção familiar. Pai é aquele que assume a responsabilidade de estar presente, de ser exemplo, de fazer o que pode para dar condições para uma outra pessoa, o seu filho. No Brasil, segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, mais de 37 mil pessoas estão na fila para adoção, enquanto isso, em torno de 33 mil crianças e adolescentes estão em situação de acolhimento. O número de pessoas aptas à adoção é muito superior ao de pessoas que aguardam um lar, isso porque das crianças e adolescentes disponíveis que não estão vinculados, 83% têm acima de 10 anos, e apenas 2,7% dos pretendentes aceitam adotar acima dessa faixa etária.


“Muitos ainda não sabem o verdadeiro amor de pais para filhos. Pai e mãe não é somente aqueles que geram. Eu sou prova viva disso. Imagina o quão intenso é o amor de alguém por outro ser, sem ter o mesmo sangue, sem planejar por meses, sem tempo pra construir esse amor. As pessoas que não entendem isso, como oportunidade para construir uma família, precisam então entender o que elas querem e pensam como família”, relata Priscila.


Hoje, dois adultos, quando chamam o pai ou a mãe em lugares públicos, percebem ainda olhares de curiosidade e, na primeira oportunidade precisam responder algum questionamento. “São filhos mesmo ou adotivos?”. “Meus pais sempre respondem – são meus mesmo, por amor e por direito”, compartilha. “Acredito totalmente em destino, nada é em vão, tudo tem um motivo, um propósito. Todas as vitórias e derrotas, todos os momentos que levam a outros, tudo exatamente calculado para tornar algo possível. Alguém que talvez não pôde nos criar, mas que também nos deu a oportunidade de viver e ter uma família e, a família que nos acolheu teve a oportunidade de se formar. É complexo explicar, tudo é mais fácil no sentir!”, completa.


A VISION PERGUNTA

Quem é a Priscila Lima, filha?

Eu sou uma filha que respeita totalmente os pais, respeita e agradece a educação que teve e tem. Alguém que vai ouvir e saber que vai ter sempre algo a aprender, independente da idade. Que vai fazer de tudo pra dar para os pais em dobro, tudo o que deram por amor. Uma filha que ama, acredita e protege toda e qualquer forma de família.


Quem é a Priscila Lima, mulher e empreendedora?

A Priscila filha é reflexo para a Priscila mulher e empreendedora. Vou levar comigo tudo e sempre o que aprendi com meus pais, principalmente a humildade e a honestidade. Sou simples, gosto de coisas e pessoas simples. O fato de eu trabalhar com moda e arte talvez me faz transmitir ser alguém muito rígida ou então de difícil acesso. É o que muitos me dizem!


Eu sou apenas uma menina criada no interior, amante das diversas maneiras de expressão de sentimento. Defendo todo tipo de forma de amor, sendo familiar ou conjugal e repúdio qualquer forma de preconceito, não é forçar a aceitação, é fazer apologia ao respeito.


Meu propósito profissional nada mais é que, fazer um excelente trabalho, independente de qual seja ou em qual nível eu esteja, seguir como eu sempre segui, com ética, moral, respeitando cada trabalho e cliente, sem rótulos ou preconceitos, trabalhando de maneira clara e organizada e sempre entregando um produto e resultado de excelência sem trapacear ou diminuir ninguém. A frase clichê conta muito pra mim, “O sol nasceu para todos e a sombra para quem merece!”. Enquanto não conseguimos a sombra, usamos a luz do sol como rebatedor e aproveitamos para um close certeiro nos nossos passos.


Na vida profissional, em qual área seguiu e o que te move?

Sou formada em Design de Moda pela Universidade do Sul de Santa Catarina, estudante de pós-graduação em Criação de Moda no SENAC, atuo como Produtora de Moda e Stylist. Estive por mais de 8 anos atrás das câmeras, fotografando eventos e ensaios pessoais, mas hoje minha maior paixão é a moda.


Entender uma marca e o estilo pessoal de cada um me encanta, envolve empatia e psicologia, o cliente precisa se deixar conhecer, assim como para registrar uma linda fotografia. Por isso, a moda e a arte na minha vida seguem de mãos dadas. Amo poder trabalhar em diversos lugares ao mesmo tempo, entre estúdios e externas, crianças e adultos, tudo é lindo de trabalhar e explorar, isso me encanta.


Trabalho desde os 15 anos. Comecei no Banco do Brasil, onde permaneci por 2 anos. Já trabalhei em diversas áreas, em supermercado, como professora, recepcionista, já toquei em casamentos e celebrações. E o meu amor por desenho já me fez até trabalhar com caricaturas, hoje eu faço por amor.


Também tenho um brechó, onde eu crio e reaproveito, reconstruo e dou vida nova a peças que seriam descartadas ou desvalorizadas.


Na minha profissão atual e a qual eu pretendo seguir, aprendo todos os dias com outros profissionais e a cada lugar que eu passo, eu sou extremamente apaixonada em produzir um ensaio ou editorial e dar vida aos envolvidos, como também fazer com que o fotógrafo e o cliente, confiem no meu trabalho, assim como transmitir o briefing desejado pela marca.


Talvez termos técnicos sejam desnecessários nesse momento, o trabalho de uma Produtora e Styling é muito dinâmico e prático e é por isso que eu me encanto todos os dias.

0 comentário