Um samba-canção de amor ao Rio

Por Mareliza Cupolilo

Fotos: Arquivo Pessoal Mareliza Cupolilo

Com muita frequência, redesenho em meus sonhos a viagem ao lugar onde se passa o Réveillon mais belo do mundo. É de manhã cedinho. Dia 30 de dezembro. E como um dia profetizara o eterno maestro: ‘Minha alma canta; vejo o Rio de Janeiro; estou morrendo de saudades’.


Após pousar no Galeão, corro para o carro que me levará para o abraço inebriante da cidade maravilhosa. E, assim, vamos percorrendo os caminhos, fazendo pulsar o meu coração.


Depois de cruzar o túnel Rebouças, meus olhos se deparam com a bela Lagoa Rodrigo de Freitas. Sinto uma breve pausa na respiração. Seria miragem aquela contemplação? Há tantos cariocas natos (e também de coração!) que, democraticamente, circulam ao seu redor... Caminhada, corrida, bicicleta, yoga, caiaque e meditação. Não importa: qualquer que seja a sua praia (ou o seu tipo de lagoa!), há lugar para você. Há bares, restaurantes, drinques, parques, e, inclusive, espaço para quem queira um piquenique ou apenas sombra e água fresca.


Subo a rua Gastão Baiana e caio no coração da ‘Princesinha do Mar’, com suas sereias sempre sorrindo. Ah, minha doce Copacabana! Jobim não deixou margem para dúvidas: ao te beijar, o mar ficou perdido de amor!


A primeira parada é no Bibi Sucos, da rua Miguel Lemos. -‘Por favor: preciso matar a sede com um suco de hibisco, morango e limão siciliano!’ Depois de hidratada, percorro a avenida Atlântica e chego ao Leme, porque de lá ao Pontal Tim Maia avisou que ‘não há nada igual’.


É verão no Rio de Janeiro. Vou tomando água de coco pelos quiosques.


Com uma carona, corto a avenida Princesa Isabel, passo por Botafogo, pelo aterro do Flamengo e, então, sigo em direção à Santa Tereza. Que saudade de um almoço no lugar mais prazeroso do mundo. Quem nunca foi ao restaurante Aprazível deve se apressar para marcar um compromisso em sua agenda.


Bem que eu queria ter tempo para um almoço mais demorado, mas são tantos os lugares para revisitar! Tenho uma saudade urgente de tanta gente e de tantos lugares! De Santa Tereza, parto por um percurso pelos arredores. Poder ver os Arcos da Lapa é algo que sempre me comove. Aproveito para avisar aos meus queridos ‘Rio Scenarium’ e ‘Carioca da Gema’ que à noite nos encontramos para uma roda de samba.


Sigo o percurso e chego ao centro. Revejo a Cinelândia, a Candelária e a Praça Mauá com seu Museu do Amanhã. Já está entardecendo e desejo ver o pôr-do-sol mais lindo que existe. Corro de táxi para a Urca, a tempo de subir o bondinho do Pão de Açúcar. Lá de cima, me apaixono, novamente, pelo Rio. Lá de cima, beijo toda a Guanabara e o Cristo Redentor.

Cai a noite e, como prometido, eu me encontro com o samba. Mas sem exageros, pois convém descansar. Na manhã seguinte, dirijo-me ao Forte de Copacabana para o desjejum perfeito.


Na Confeitaria Colombo, mato as saudades dos deliciosos quitutes e mergulho meus olhos no Atlântico.


Em seguida, ao café, vou ao encontro do último banho de mar do ano. Ipanema é a praia escolhida, pois o mundo inteiro sabe que, naquela calçada, a gente passa ‘num doce balanço, a caminho do mar’.


Enquanto me banho nas águas salgadas, agradeço por tudo o que vivi e mentalizo sobre o porvir. Só peço saúde e evolução. E, assim, me despeço do ano que passou.



Chegou a hora de vestir a roupa branca escolhida e correr para Copacabana.

Definitivamente, não há lugar no mundo que reúna tanta gente de pés descalços e alma lavada. Uma única sintonia agrupa milhões de pessoas com o mesmo propósito: abrir alas, com muita positividade, para o ano que inicia.


E é da varanda da grande joia arquitetônica do Rio, o resplandecente Copacabana Palace, que eu quero saudar o novo capítulo, agradecendo ao ano que se encerra e brindando à chegada de seu irmão mais novo. Inspirada pelo Rio da bossa-nova, peço a benção (e também inspiração) a Tom e a Vinícius. É de camarote que assisto à queima de fogos mais inesquecível que há. Todos a postos e champagne na mão, pois começou a contagem regressiva! 3, 2, 1... Feliz Ano Novo!


Eu indico

Foto: zomato.com

O Rio de Janeiro é cosmopolita e oferece culinária para todos os gostos. No disputado Le Blé Noir se come um dos melhores crepes de trigo sarraceno do mundo. É ainda mais saboroso se estiver acompanhado de uma caneca da autêntica cidra francesa. Está na Rua Xavier da Silveira, 19-A, Copacabana.



Foto: elitemagazine.com.br

Já o Xian é o local certo para quem busca uma cozinha contemporânea com toque oriental, aliada a um visual de tirar o fôlego. Fica no Bossa Nova Mall, colado ao Aeroporto Santos Dumont.


Foto: : restaurateurs.goodfrance.com

E o CT Boucherie é onde se come uma saborosa carne e deliciosos acompanhamentos, executados com muito critério, e o savor-faire de Claude Troigros, mas servidos com a leveza e o despojamento típicos de uma refeição carioca. Localizado na Rua Dias Ferreira, 636, Leblon.

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